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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nápoles: 10 anos sem uma gigante do transporte pernambucano

Guto de Castro

Quando se fala sobre ônibus em Pernambuco no século passado, logo surge o nome de uma empresa: Nápoles. Não é por acaso: surgida entre Recife e Olinda, foi referência em transporte de passageiros, chegando a ser um dos maiores grupos empresariais do Brasil.

A história da Nápoles começa em 1952, quando Marcílio Fillizola ganha o direito de operar uma linha ligando o bairro de Beberibe ao Centro do Recife. A empresa viria a ser fundada oficialmente 8 anos depois, em 1960.

Aos poucos, a Nápoles começa a crescer, operando linhas que ligavam bairros de Olinda e Paulista ao Centro do Recife. Entre os bairros atendidos pela empresa, estavam: Pau Amarelo, Janga, Casa Caiada, Bairro Novo, Jardim Atlântico, e, principalmente, Rio Doce e Maranguape.

A Nápoles ingressa também no setor rodoviário, atuando em ônibus de turismo. A empresa também ganha a concessão da ANTT para operar uma linha interestadual: a Recife X Natal-RN.  O grupo também mantinha ligações com empresas na capital potiguar, como a Cidade do Sol.

A pintura da Nápoles também foi marcante: três barcos a vela na cor laranja combinavam perfeitamente com a saia verde que a empresa estampava nos seus ônibus.

Operação
Algumas das principais linhas que foram operadas pela Nápoles:

- Maranguape I
- Maranguape II
- Pau Amarelo
- Pau Amarelo/Varadouro
- Jardim Atlântico
- Rio Doce (Conde da Boa Vista)
- Rio Doce (Princesa Isabel)
- Rio Doce (Príncipe)
- Rio Doce/CDU
- Conjunto Praia do Janga
- Casa Caiada
- Rio Doce/Peixinhos (Municipal de Olinda)

Estrutura e Frota
A garagem da Nápoles era uma das maiores do estado, situada no bairro de Rio Doce, em Olinda. A via que sediava o imóvel foi uma homenagem a empresa: Avenida Nápoles, nome que permanece até hoje.

A frota da Nápoles se mostrou bastante variada ao longo de sua história. Por ser uma empresa de grande porte, sempre investiu em tecnologias modernas para a época, buscando manter sempre um grau de qualidade no serviço prestado. Confira algumas fotos:

Comil Gallegiante - Mercedes-Benz O-371 RS (1995)
Linha: Recife-PE X Natal-RN
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Mercedes-Benz Monobloco O-364 - Mercedes-Benz O-364R
Linha: Recife-PE X Natal-RN
Créditos: Walky Martins do Nascimento/Ônibus Brasil

Mercedes-Benz Monobloco O-364 - Mercedes-Benz O-364R
Linha: Recife-PE X Natal-RN
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Thamco Águia - Mercedes-Benz OF-1115
Linha: -
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Caio Amélia - Mercedes-Benz OF-1115
Linha: -
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Caio Amélia - Mercedes-Benz OF-1115
Linha: -
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Nielson Diplomata 330 - Mercedes-Benz O-364 R
Linha: Turismo
Créditos: Eliziar Maciel Soares/Ônibus Brasil

Busscar Jum Buss 360 - Scania K-113 TL (6x2)
Linha: Recife-PE/Natal-RN
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e catalogação: Guto de Castro

Caio Gabriela - Mercedes-Benz OF-1113
Linha: 992 - Pau Amarelo
Créditos: Diário de Pernambuco/Acervo Digital
Pesquisa e Catalogação: Guto de Castro

Engerauto Transporte II - Ford B-1618 (1995/96)
Linha: 992 Pau Amarelo
Créditos: Ricardo Aparecido Morais/Acervo

Comil Svelto II - Volkswagen 16-210 CO
Linha: 992 - Pau Amarelo
Créditos: Edmilson Bispo

 Anos 80 e primeira separação
 Em 1987, Marcílio Fillizola resolve deixar a Nápoles e acaba fundando uma nova empresa, a Rodotur. Com isso, a empresa-mãe perde algumas linhas e alguns carros, constituindo-se como a primeira baixa na história da operadora.

Anos 90: crescimento e iníco da crise
Em 1990, é inaugurado em Rio Doce o maior terminal de ônibus de Pernambuco, e que serviria de protótipo para a criação do futuro SEI (Sistema Estrutural Integrado). A Nápoles ganha a concessão da maioria das linhas do novo equipamento, constituindo-se num momento de pequeno crescimento em sua história.

Contudo, essa fase dura pouco. Em 1994, outro racha acontece na Nápoles: Marconi Fillizola deixa a sociedade e funda sua própria operadora, a Cidade Alta. Com isso, a empresa-mãe perde mais algumas linhas e parte de sua frota.

A partir daí, a Nápoles enfrenta o momento mais difícil de sua história. Os investimentos em renovação de frota caem bastante. Com isso, ônibus mais antigos são mantidos em circulação por mais tempo, gerando problemas com a conservação. Passam a ser constantes as quebras e o não-cumprimento de viagens pela empresa.

No final dos anos 90, a linha rodoviária Recife X Natal é vendida para a Progresso. A Nápoles passa, então, a concentrar sua operação no serviço urbano, numa tentativa de restabelecer-se. Contudo, isso não é suficiente para contornar a crise.

Anos 2000 e fim
 A Nápoles começa o novo milênio com uma situação bastante problemática: sua frota tinha se reduzido a apenas 34 carros (bem menos que os mais de 200 que a empresa chegara a ter 20 anos antes). Por pressão da EMTU, a empresa passa a arrendar veículos de outras empresas, o que acarreta um aumento de custos.

 Até que chega o fatídico dia: em 19 de abril de 2002, 10 anos atrás, a EMTU resolve suspender a operação da empresa por 90 dias, para ela adequar sua frota e colocá-la em condições de uso. Contudo, a crise da Nápoles era um caminho sem volta: com muitos problemas financeiros, a operadora que foi referência no transporte pernambucano nos dá adeus.

As cinco linhas operadas pela Nápoles na época foram divididas entre a Cidade Alta (Pau Amarelo, Pau Amarelo/Varadouro e Pau Amarelo/Bacurau) - que herdou também parte da frota e a garagem - e a Tamará (Rio Doce/CDU e Conjunto Praia do Janga - posteriormente repassada para a Rodotur). Essa notícia, publicada pelo Diário de Pernambuco em seu site, comenta a suspensão da empresa.

 Nos restam as lembranças das máquinas da Nápoles cruzando as ruas de Paulista, Olinda e Recife. Sem sombra de dúvidas recordações da melhor qualidade, que os donos fazem questão de guardar para sempre na memória.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Olindense: ascensão e decadência de uma empresa que marcou época

Quando você pergunta qual ou quais empresas marcaram época no transporte de Olinda, com pioneirismo e tecnologia, vários nomes vêm a cabeça. Porém, um se destaca dos demais: Olindense.

Uma empresa nascida em Olinda, que cresceu e se desenvolveu ligando os quatro cantos da cidade, e alguns bairros da zona oeste até a capital Recife. Foram 32 anos de história, com conquistas e derrotas, que a tornaram uma das referências em transporte.

Histórico
A Olindense nasceu em 1976, operando algumas linhas com destino ao centro do Recife, saindo dos bairros de Alto José do Pinho e Morro da Conceição e possui 22 veículos em sua frota. Sua garagem, ampla e moderna, localizava-se na Av. Presidente Kennedy em Olinda. Sua pintura inicial era básica: continha o nome da empresa e um símbolo semelhante a um "T".

Em 1980, a empresa realiza sua primeira grande aquisição: 10 Monoblocos O-364 adquiridos da Imperial Diesel, o que representava uma renovação de 45% da frota. A compra teve grande destaque na imprensa estadual.



Primeira grande aquisição da Olindense em 1980 e reportagem do Diário de Pernambuco sobre tal fato. Créditos: Acervo Digital do Diário de Pernambuco. Pesquisa: Guto de Castro

Ao longo dos anos 80 a Olindense cresce, ganhando algumas linhas do sistema municipal de Olinda. Até o final da década, esse serviço passaria a ser o filão da empresa, representando maior parte dos seus lucros.

A Olindense começa os anos 90 aderindo a uma característica que iria torná-la lembrada pelo resto de sua existência: a preferência por carrocerias Busscar. Fazendo uma dobradinha com o chassi Mercedes-Benz OF-1318, chegou a representar 90% da frota da empresa.

Busscar Urbanus I - Mercedes-Benz OF-1318 (Alongado) - 1993
Créditos: Acervo Digital do Diário de Pernambuco. Pesquisa: Guto de Castro

A empresa atinge seu auge no final dos anos 90, quando inicia um agressivo processo de expansão. Entre 1993 e 1999, são adquiridos 27 veículos novos, o que representava cerca de 77% de sua frota.

A Olindense vai entrando pelos anos 2000 não muito bem financeiramente. O investimento em veículos novos caiu bastante. Mesmo assim, adere ao processo de retirada do transporte alternativo, comprando 3 veículos com ar-condicionado. Contudo, tal equipamento especial é logo desligado, e os próprios carros não duram muito tempo na empresa.

Em 2006, faz sua última aquisição de veículos novos, trazendo 8 Busscar Urbanuss Pluss Volkwagem 15-180. A partir de 2007, sua situação se agrava, passando a acumular dívidas salariais. Mesmo assim, busca manter a frota em bom estado de conservação.

Em 2008, no processo de remodelação do transporte municipal de Olinda, a empresa passa a operar as linhas do Terminal do Caenga rumo ao bairro de Rio Doce. Porém, sua operação não dura mais do que seis meses.

No dia 29/12/2008, com dívidas acumuladas e salários atrasados, a empresa é vetada de circulação por 90 dias. Nesse período, caso tivesse se recuperado de todos os problemas, poderia voltar a operar. Infelizmente, tal fato nunca ocorreu. Era o fim da Transportadora Olindense.

Suas três linhas passaram a ser operadas pela Caxangá, enquanto seus veículos foram vendidos aos poucos, provavelmtente para quitar os débitos pendentes.

Frota
Uma caracerística marcante da Olindense foi sua preferência pelas carrocerias Busscar. Esse "amor" começou nos anos 90 e durou até a falência da empresa. Quanto aos chassis, sua preferência sempre foi os da Mercedes-Benz. Contudo, possuia também algumas unidades de Ford e Volkswagen.
Busscar Urbanuss - Mercedes-Benz OF-1318
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil


Busscar Urbanus II - Ford B-1618
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil


Busscar Urbanus II - Meredes-Benz OF-1318
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanus I - Meredes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanus II - Meredes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil



 
Busscar Urbanuss - Mercedes-Benz OF-1318
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanuss - Mercedes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

 
Busscar Urbanuss - Mercedes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

 

Busscar Urbanus I - Mercedes-Benz OF-1318
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanuss Pluss - Volksbus 15-180 EOD
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil


Busscar Urbanus II - Meredes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanus II - Meredes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanus II - Meredes-Benz OF-1318

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanuss Pluss - Volksbus 15-180 EOD

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil


Busscar Urbanus II - Ford B-1618

Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Busscar Urbanuss - Volksbus 16-210 Euro II
Créditos: Diego Barbosa/Ônibus Brasil

Linhas
A Olindense iniciou sua trajetória operando linhas da Zona Norte do Recife rumo ao centro da cidade. Nos anos 80 ingressou no sistema municipal de Olinda. No início dos anos 90, deixou o sistema da EMTU.

Infelizmente, não há o registro de todas as linhas que foram operadas pela empresa. Entre o final dos anos 90 e 2008, a Olindense operou três trajetos:

O407 - Córrego do Abacaxi/Rio Doce (Via Funeso)
O408 - Caixa d'Água/Rio Doce (Via Peixinhos)
O409 - Aguazinha/Rio Doce (Via Jardim Atlântico)

Em julho de 2008, com o início do sistema operado do Caenga, suas três linhas tiveram o nome mudado, mas o itinerário permaneceu praticamente o mesmo:

O001 - Caenga/Rio Doce (Getúlio Vargas)
O002 - Caenga/Rio Doce (Carlos de Lima Cavalcanti)
O003 - Caenga/Rio Doce (II Perimetral)

Essas linhas foram operadas pela Olindense até dezembro de 2008, quando foi decretada a falência da mesma.

Guto de Castro