sexta-feira, 11 de abril de 2014

Usuários do metrô do Recife enfrentam segundo dia de transtornos

Créditos: Alexandre Gondim/JC Imagem


Usuários do metrô do Recife enfrentam o segundo dia de transtornos depois do rompimento de um cabo de alimentação na última quinta-feira (10). As pessoas ainda esperam até 40 minutos pelos trens, o que deixa as estações completamente lotadas. O ramal afetado foi Camaragibe, prejudicando as estações Camaragibe, Cosme e Damião, Rodoviária, Curado e Alto do Céu. Ainda não há previsão acertada para que o problema seja corrigido.

Apesar das plataformas lotadas, boa parte dos usuários tomou transportes alternativos para driblar o caos do metrô. O ramal Camaragibe está rodando com quatro trens, quando o normal é ter oito composições nos trilhos. A vendedora Alcione Vargas se disse indignada com a situação. "Isso é um absurdo. Dois dias eu chegando atrasada por causa do metrô", diz a passageira.

O rompimento do cabo de alimentação aconteceu às 5h10 de ontem, perto da Estação Rodoviária, o TIP. Com o problema, o ramal Camaragibe passou a funcionar com apenas um trem e fechou completamente entre 9h e 12h, para tentar consertar o problema. Entretanto, os técnicos da Companhia Brasileira de Transporte Urbano (CBTU) ainda não conseguiram restabelecer o serviço.

Rompimento dos cabos do metrô foi causado por vândalos

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife constatou, nesta sexta-feira (11), que o rompimento do cabo de alimentação, que provocou a paralisação do trecho Alto do Céu - Camaragibe, foi causada por um ato de vandalismo. O cabo foi rompido às 5h10 da quinta-feira (10), perto da Estação Rodoviária, o TIP.

De acordo com a companhia, os vândalos praticaram um "capa-gato". O ato, que causou curto-circuito e rompeu os cabos, consiste em um artefato formado por pedras unidas por um fio. A CBTU acredita que os vândalos pretendiam roubar o cobre, material utilizado nos cabos. 

JC Online

Apesar dos equívocos, conforto do BRT deverá ser garantido

Créditos: Edmar Melo/JC Imagem

O conforto é fato. O Via Livre, o BRT pernambucano, qualificará o sistema de transporte público por ônibus do Grande Recife. As estações refrigeradas e acessíveis, e os ônibus novos, confortáveis e com ar-condicionado, farão a diferença. Os acertos são o tema da segunda e última reportagem sobre erros e acertos do BRT.

O passageiro do BRT pernambucano poderá não sentir a economia de tempo na viagem, estimada entre 15 e 30 minutos, prometida pelo governo desde que Pernambuco optou pelo Bus Rapid Transit. Mas, sem dúvida, sentirá a diferença no conforto do futuro sistema. Os equívocos do projeto dos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste existem, mas não devem, apostam técnicos e operadores, anular o conforto para a população, sustentado, basicamente, na qualidade dos ônibus e das estações de BRT.


A viagem ficará mais prazerosa, sem dúvida. Afinal, pelo menos na teoria, o BRT é conhecido como metrô sobre pneus ou ônibus metronizado exatamente pela eficiência que oferece. Ou deveria oferecer.

Teremos as primeiras estações de BRT com ar-condicionado do País. No mundo, será a segunda. Apenas o BRT de Monterrey, no México, possui estações refrigeradas, segundo levantamento do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). Operadores as consideram estreitas (são menos de quatro metros de largura) e temem a futura manutenção não só do ar, mas também dos vidros temperados. Mas é fato, como afirma o ITDP, responsável pelo Guia Padrão BRT, que qualificam ainda mais o sistema de BRT. “Tememos a manutenção porque ainda não está claro de quem será o custo. Se do setor empresarial, do sistema – nesse caso, do povo -, ou do Estado. Imagine como será quando o ar-condicionado apresentar problemas e a Copa do Mundo tiver passado?”, indaga um operador.

Apostando que tudo dará certo, o passageiro do BRT contará com 45 estações nos dois corredores de BRT com acessibilidade universal, pagamento antecipado das passagens e embarque direto no ônibus, sem subir e descer degraus e, muito menos, sob sol e chuva, enfrentando calor e alagamentos. Nas estações, painéis informativos deverão indicar a chegada das linhas, com intervalos estimados entre três e cinco minutos. É a previsão.

Os veículos BRT são outra ferramenta que ajudarão a convencer o cidadão de que o sistema pode ser confortável. Serão 179 ônibus de alta capacidade, o que diminui a sensação de “sardinha” vivida pela maioria dos 2 milhões de passageiros diários do sistema de transporte da Região Metropolitana do Recife, especialmente aqueles que dependem dos terminais de integração. Os ônibus convencionais medem 12 metros, possuem entre 37 e 48 assentos e capacidade para 90 passageiros. Enquanto o BRT, assim como os ônibus convencionais articulados, medem 21 metros, têm entre 36 e 58 cadeiras e capacidade para até 165 passageiros. Ou seja, espaço haverá. Custam, em média, R$ 800 mil cada. “É possível, sim, superlotar um BRT, mas não é isso que se espera de um sistema eficiente, até porque a frequência dos veículos deve ser constante”, explica Pedro Torres, gerente de políticas públicas do ITDP Brasil.

O conforto dos BRTs também será percebido por outras diferenças em relação aos ônibus em operação atualmente. As principais são o ar-condicionado e a transferência do motor da parte dianteira para a traseira do veículo. Ganham passageiros e, também, operadores. Reflexo dessa “qualidade operacional” é a concorrida procura por treinamento entre os motoristas das empresas que compõem os consórcios que irão operar o sistema. Todos querem dirigir os BRTs. A suspensão é moderna e os ônibus terão computadores de bordo para garantir a eficiência da operação e a comunicação com os condutores. Como veículo, representa um salto de qualidade. Para todos.
Créditos: Helia Scheppa/JC Imagem


Blog De Olho no Trânsito

Filme Rio Doce-CDU vai ganhar exibições de rua em Olinda e Recife

Créditos: Reprodução


O documentário pernambucano Rio Doce/CDU, de Adelina Pontual, será exibido nas ruas de Olinda e Recife, com projeções públicas. Serão 12 sessões gratuitas do filme em pontos que estão no trajeto da linha de ônibus.

O longa, que estreou no Cine PE do ano passado, nunca ganhou exibições comerciais nos cinemas do Recife. O trabalho mostra a vida de diversas pessoas com alguma relação com a linha Rio Doce/CDU, uma das mais longas do Grande Recife, que vai do subúrbio de Olinda e vai até a Cidade Universitária, na Várzea, no Recife.

O primeiro ponto do projeto é o Pátio do Mercado da Encruzilhada (quinta) e depois segue para Praça do Jacaré, em Olinda (sexta), Praça ao lado do Mercado Madalena (sábado) e Praça de Campo Grande (domingo). Serão três rodadas, sempre iniciando às quintas, até o dia 4 de maio.

“Este projeto me entusiasma porque com ele estamos devolvendo o filme às ruas, inspiração e matéria prima do documentário. É para as pessoas se verem na tela, verem seus bairros, instigar novos olhares a lugares tão comuns e cotidianos. Também, fazer refletir um pouco sobre a cidade em que vivemos”, disse a diretora, por email.

Programação de exibições:
10.04 – Quinta – Pátio do Mercado da Encruzilhada
11.04 – Sexta – Praça do Jacaré, Olinda
12.04 – Sábado – Praça ao lado do Mercado Madalena
13.04 – Domingo – Praça de Campo Grande
24.04 – Quinta – Concha Acústica da UFPE – Cidade Universitária
25.04 – Sexta – Cidade Universitária – Rua Deputado Cunha Rabelo (ao lado do Restaurante ArriÉgua)
26.04 – Sábado – Torre – Praça da Academia da Cidade – Av. Beira Rio
27.04 – Domingo – Cordeiro – Praça da Academia da Cidade – Av. Caxangá
01.05 – Quinta – Rio Doce – 1ª Etapa – Quadra Esportiva em Frente à Feira
02.05 – Sexta – Rio Doce – 4ª Etapa – Ao lado do Terminal Integrado
03.05 – Sábado – Casa Caiada – Praça Duque de Caxias (em frente ao antigo Quartel)
04.05 – Domingo – Praça do Carmo

O Grito

terça-feira, 8 de abril de 2014

Colisão entre vários veículos, incluindo dois ônibus, na Domingos Ferreira

Créditos: JC Online/Divulgação


Entre carros e ônibus, vários veículos colidiram no final da tarde desta terça-feira (8), próximo ao Extra da Avenida Domingos Ferreira, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. De acordo com a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), contabiliza-se cerca de dez automóveis envolvidos e 6 vítimas.


O acidente foi provocado por um ônibus articulado da empresa Borborema que fazia a linha Joana Bezerra/Boa Viagem. O motorista do coletivo, Manoel Inácio Martins Filho, 54 anos, passou mal e puxou o carro para a esquerda. Com a manobra, um carro foi atingido resultando no engavetamento na via. Há informações que ele sofreu uma tontura, mas a hipótese ainda não foi confirmada.

Manoel Inácio desceu do coletivo chorando. Segundo testemunhas, ele pensava ter provocado alguma morte. O motorista foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira. Uma viatura da CTTU foi deslocada para ocorrência. Equipes do Corpo de Bombeiros também foram encaminhadas ao local para realizar os procedimentos de primeiros socorros.

Segundo as informações emitidas pelos Bombeiros, uma das vítimas ficou presa entre as ferragens mas já foi resgatada. Após ser retirada do carro que estava sob o ônibus, a condutora do veículo, Myrna Breno Brendler, de 49 anos, sofreu ferimentos leves e foi levada em estado consciente à UPA da Imbiribeira.

Um idoso de 79 anos, ocupante do banco carona de um dos carros engavetados, também se feriu. Foi informado que o médico Manoel Gilberto de Holanda, foi levado ao Hospital da Restauração (HR), área central do Recife. Até o momento, os agentes do posto policial da unidade de saúde não confirmaram a informação.

Ademilson José da Silva, 56, era o motorista que conduzia o veículo onde estava o médico. "O impacto do ônibus fez com que o carro voasse, foi por isso que o carro subiu", explicou. Ele disse ainda que o idoso sofreu um corte na testa.

A arquiteta Karla Tavares, 28, dirigia o EscoSport quando foi surpreendida pela colisão. "Não vi nada, simplesmente escutei o barulho e senti o impacto no meu carro. Fique assustada, mas não consegui ver nada. Só vi a situação quando desci. Fiquei feliz quando percebi que consegui escapar. Nesses momentos, a gente vê que a vida da gente não vale nada", se emocionou.

Por causa do trânsito complicado, os agentes da CTTU orientam os condurores, bem como realizam os desvios necessários. A companhia indica a Avenida Mascarenhas de Morais, na Imbiribeira, como rota alternativa de acesso ao bairro de Boa Viagem. O trânsito nesta via está fluindo moderadamente. O tráfego de veículos na outra faixa da Avenida Domingos Ferreira, sentido Jaboatão dos Guararapes, continua a fluir.



JC Online
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Maxi Ônibus Olinda informa:
os ônibus envolvidos no acidente foram o 304 e o 938 da Borborema.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O BRT dos “puxadinhos”

Créditos: Edmar Melo/JC Imagem


Um sistema que, por ser mal implantado, ter premissas técnicas fundamentais ignoradas, ainda é mal entendido e pouco aceito por parte da popolução e da classe política. Mas o sistema Bus Rapid Transit (BRT) significa transporte de qualidade sim senhor. Desde que seja bem feito, siga, sem arrumadinhos ou adequações, regras e padrões operacionais para ter qualidade. Foi assim que esse sistema operado por ônibus ganhou fama a partir de 1974, ao ser criado em Curitiba (PR), e visibilidade mundial em 2000, com a cópia aprimorada da ideia brasileira do Transmilênio, em Bogotá (Colômbia). Na série que o Blog De Olho no Trânsito apresenta neste domingo (6) e segunda-feira (7), o BRT pernambucano, maior legado que o governo estadual deixa após sete anos de gestão Eduardo Campos, será destrinchado. O bom e o ruim, o certo e o errado, expostos.

Começaremos pelos equívocos do BRT pernambucano, batizado Via Livre. Eles são muitos. Por falta de tempo e, principalmente, cuidado com o planejamento, o projeto acumula erros. São várias as lacunas, apontadas por técnicos e futuros operadores, que poderão, caso não sejam corrigidas a tempo, comprometer sensivelmente a operação e o que mais importa: a aceitação popular sobre o sistema, previsto para ser a elite do transporte público da Região Metropolitana do Recife. Por isso, a necessidade de apontá-las para que, mesmo a 67 dias da Copa do Mundo, possam ser corrigidas.


O nosso BRT apresenta diversos “puxadinhos”, ou seja, adequações ao projeto original que descaracterizam a proposta de qualidade do sistema, comprometendo sua eficiência. A impressão é que a qualidade do Via Livre limita-se à construção de estações e à compra de ônibus novos (ambos no padrão BRT, extremamente confortáveis). No resto, o governo do Estado está construindo três terminais integrados (Abreu e Lima, III e IV Perimetrais, no Recife) e arrumando os corredores de transporte existentes (PE-15 e Avenida Caxangá).

As lacunas são vistas nos dois corredores de BRT projetados pelo governo: Leste-Oeste, com 15 km entre Camaragibe, Oeste do Grande Recife, e o Centro do Recife, e o Norte-Sul, que começa em Igarassu, Norte do Grande Recife, e, num primeiro momento, chega ao Centro, totalizando 33 km no eixo. Para a produção dessa reportagem, o JC ouviu operadores, futuros operadores e especialistas do setor. O guia Padrão de Qualidade BRT, produzido em 2012 pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) e referência no assunto, foi usado como princípio para apontar erros e acertos. A partir dele, percebe-se que estamos ferindo premissas básicas do padrão de qualidade do BRT: o embarque em nível (que não acontecerá na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, e em Camaragibe) e a prioridade total nas vias. Requisitos de qualidade que, junto com o pagamento antecipado da passagem, deram fama ao BRT a partir de 1974, ao ser criado em Curitiba (PR), e visibilidade mundial em 2000, com a cópia aprimorada da ideia brasileira do Transmilênio, em Bogotá (Colômbia).

“Ainda não podemos dizer se o BRT pernambucano estará no padrão Ouro, Prata ou Bronze no nosso guia porque é preciso que ele entre em operação de fato. Mas o BRT é chamado de ônibus metronizado por causa das regras que precisa seguir para ter uma operação tão eficiente quanto a do metrô, só que bem mais barata. O BRT pernambucano, pelo que vemos, ainda não ganhou o “R” de rápido. A descaracterização dos projetos, inaugurados às pressas, têm se tornado prática comum no Brasil por causa da Copa do Mundo, o que é uma pena. Pernambuco é mais um”, critica Pedro Torres, gerente de políticas públicas do ITDP Brasil.

O velho e o novo se misturam no BRT pernambucano. Não estamos construindo corredores novos, implantados de ponta a ponta. No Norte-Sul, as grotescas e ineficientes paradas de concreto permanecem porque linhas convencionais vão dividir o espaço. Misturam-se ao arrojado design das futuras estações de BRT. No Leste-Oeste, o principal eixo do corredor – a Avenida Caxangá – continua com a aparência de velha, desarrumada, sem um projeto de requalificação paisagística. O mesmo acontece na PE-15, Avenidas Pan Nordestina e Cruz Cabugá, eixos do Norte-Sul.

O tráfego misto em parte dos dois corredores é o que mais preocupa. Os BRTs tanto vão trafegar misturados a ônibus convencionais, quanto a veículos particulares. O impacto negativo na velocidade dos ônibus poderá ser grande, o que preocupa os futuros operadores porque a cobrança da população virá. Sem prioridade na via, o sistema não será eficiente. Nenhum é.
Créditos: Edmar Melo/JC Imagem

O metrô, por exemplo, é veloz porque tem caminho próprio e exclusivo. No Norte-Sul, o tráfego misto ocorrerá no Complexo de Salgadinho, onde o volume de veículos é intenso. No Leste-Oeste, as maiores descaracterizações se darão no trecho do município de Camaragibe e na Avenida Conde da Boa Vista, Centro do Recife.

Em Camaragibe, as estações sairão do centro da via para as laterais e o embarque dos passageiros não será feito em nível, ou seja, na mesma altura da parada. Os BRTs terão escadas e portas do lado direito (como os ônibus convencionais). Na Avenida Conde da Boa Vista, que sempre integrou o Corredor Leste-Oeste, mas cuja solução foi adiada por muitos anos pelo Estado, o embarque também será desnivelado, com a vantagem que as paradas estarão dentro de uma faixa exclusiva para ônibus. As estações da Conde da Boa Vista, mesmo provisórias, não terão ar-condicionado nem o mesmo nível das estações exigidas no padrão BRT.

A necessidade de ajustes é tanta, que alguns operadores do sistema chegaram a protocolar alertas no Grande Recife Consórcio de Transporte. No documento, até erros de desalinhamento dos ônibus para acoplarem nas estações são citados. A margem de tolerância para a parada do veículo na estação seria de 70 centímetros, mas da forma como foi executado, foi reduzida para até três centímetros. Os TIs em construção têm problemas de circulação para os BRTs e alguns dos terminais antigos que receberão os BRTs sequer foram adequados. A ausência de estações em trechos, especialmente do Corredor Norte-Sul, ignora a capacidade de adensamento urbano do sistema de transporte.


Lamentavelmente, o Estado não quis discutir os erros. Não deu detalhes da operação. O JC tentou por mais de duas semanas uma entrevista detalhada com o Grande Recife Consórcio, sem sucesso. As dúvidas e o atraso que envolvem o BRT pernambucano puderam ser vistos na semana passada, quando o primeiro veículo e estação foram apresentados. Tudo no improviso e, agora, com data para entrar em operação completa apenas em junho.

Blog De Olho no Trânsito