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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Não é BRT o sistema implantado nos corredores do Grande Recife

Créditos: Guto de Castro/Maxi Ônibus Olinda

O criador do sistema BRT, o urbanista Jaime Lerner, primeiro a implantar um modelo de transporte com corredores exclusivos e segregados para ônibus, estações em nível e pagamento antecipado, na década de 1970 em Curitiba, afirma que o sistema implantado no estado não condiz com as premissas de seu modelo.

Exportado para o mundo inteiro na sigla de Transporte Rápido por Ônibus (Bus Rapid Transit), foi também escolhido para dois corredores de transporte da RMR: Norte/Sul e Leste/Oeste. Previstos para serem entregues até a Copa, os dois corredores chegaram ao primeiro semestre de 2015 sem operar da forma prevista.

Sem faixa segregada ao longo do seu percurso, os ônibus do BRT ficam presos nos congestionamentos e até mesmo nos trechos onde a faixa é exclusiva ocorrem invasões por falta de segregação do espaço. Pelo menos duas estações de BRT (Tacaruna e Prefeitura) tiveram parte do teto danificado por caminhões na faixa destinada ao ônibus. “Não acompanhei as obras, mas isso não é BRT”, ressaltou Jaime Lerner em entrevista durante um seminário de mobilidade promovido, na última quarta-feira, pela Volvo, em Curitiba.

A Cruz Cabugá é um dos trechos mais complicados do Norte/Sul. O corredor tem nova promessa de ser entregue no fim de junho. Ainda faltam seis estações e o terminal de integração de Abreu e Lima. A operação chegou a Igarassu no sábado.

Já o Leste/Oeste não tem nem previsão de ficar pronto. Faltam os terminais da 2ª e 3ª perimetrais e das estações de Camaragibe e Conde da Boa Vista. Também não há faixa exclusiva em Camaragibe e alguns trechos da área central da cidade. “O sistema perdeu o R de rápido. Sem segregação não há confiabilidade. Ele precisa ser concluído”, apontou o professor da UFPE Leonardo Meira.

O gerente de operações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, André Melibeu, reconhece as dificuldades operacionais. “Enquanto o corredor de ônibus não estiver segregado, ele não será um BRT puro. Não sei quando haverá a segregação. Mas o corredor tem que operar como trem sem nada na frente. Mas a obra ainda não está pronta”, afirmou. A Secretaria das Cidades informou que a segregação dos corredores será feita após a conclusão das estações e que o projeto da circulação com intervenções necessárias depende de aprovação da CTTU. As obras foram iniciadas em 2012.

Saiba mais
As premissas básicas do BRT
Corredor exclusivo e segregado
Estações com pagamento antecipado
- Monitoramento dos ônibus no corredor por um central de controle
- Regularidade das viagens

As nossas premissas
- Corredor com parte da faixa exclusiva na PE-15 (Norte/Sul)
- Corredor com faixa exclusiva na Caxangá (Leste/Oeste)
- Estações com pagamento antecipado
- Ausência de monitoramento dos corredores
- Sem previsão de regularidade das viagens

Operação atual dos corredores
Norte/Sul
De 5 a 10 minutos de intervalo
Velocidade média de 16km/h
Leste/Norte
De 6 a 10 minutos de intervalo
Velocidade média de 20km/h


Projetado para o Norte/Sul
- 180 mil é a demanda estimada
- 26 estações previstas
- 15 em operação
- 6 sem operação
- 5 pendentes

Diário de Pernambuco

domingo, 17 de maio de 2015

Os gargalos do transporte público

Créditos: Guto de Castro/Maxi Ônibus Olinda

Dois milhões de passageiros diariamente, três mil ônibus circulando nas ruas e um problema que parece distante de ser solucionado. Para, além do desrespeito marcado por filas intermináveis e coletivos sempre superlotados, a má qualidade na prestação do serviço de transporte na RMR enfrenta outros gargalos, como a malha viária repleta de obras inacabadas, a falta de planejamento e um trânsito engarrafado. O atual formato de integração, adotado no Estado há 30 anos, é outro problema. O alívio no bolso ao se deslocar pagando uma única tarifa já não se apresenta como solução, mas sim como risco e perda de tempo para quem precisa do transporte público.

O percurso antes executado em um único veículo, apanhado na porta de casa, agora chega a ser feito por três, em uma verdadeira maratona de embarques e desembarques. Para especialistas, há, ainda, a falta de engenharia de tráfego, já que mesmo sendo maior que a de outras praças, a frota da Capital não atende à demanda. Somado a todos esses entraves, outro agravante: motoristas que encaram jornadas de trabalho de até 12 horas e suportam os congestionamentos em ônibus sem ar-condicionado e em meio às queixas dos usuários. “Hoje sentimos as consequências de um sistema carente, implantado em uma época em que não havia ferramentas para conhecer de perto as necessidades dos usuários”, explica o consultor em mobilidade, professor da UFPE, César Cavalcanti.


Segundo ele, comparado a outras regiões metropolitanas do País, como a de Curitiba (com 1,9 mil veículos e 2,2 milhões de usuários diários), o quantitativo de ônibus em operação na RMR poderia ser visto como satisfatório. “O formato de integração aberta, esquecido por aqui, é utilizado na maioria dos municípios com mais de 100 mil habitantes. É uma ferramenta que evita transtornos e não necessita de altos investimentos”, defendeu. O Grande Recife conta com 19 terminais integrados em funcionamento, estando ainda cinco em construção e mais dois em processos de reforma ou ampliação. O sistema temporal, em testes há mais de um ano, prevê que o passageiro possa se deslocar em um prazo de duas horas, embarcando e desembarcando ao longo do percurso. Detalhe: o benefício é desconhecido pela maioria dos usuários. “Das 394 linhas, 74 estão habilitadas para o sistema. Mas não há condições de abrir o processo para a livre escolha do usuário, representaria mais custos que teriam que ser repassados”, afirmou o diretor de operações, André Melibeu. Questionado, ele não forneceu a relação das linhas participantes.

OS TERMINAIS
A Folha percorreu importantes terminais da RMR em horários considerados conturbados, entre as 5h30 e 9h, tornando a visitá-los entre às 17h e 20h. Nos locais, cenas de um filme já conhecido pelos usuários do sistema de ônibus, com o desrespeito se mostrando como palavra de ordem. No Terminal da Macaxeira, na Zona Norte do Recife, por onde circulam 55 mil pessoas todos os dias, a correria é percebida desde a entrada.

“Sempre enfrentamos o mesmo tormento. O tempo de espera é grande e com isso as filas parecem não ter fim”, disse a auxiliar de cozinha Monica Nascimento, 46 anos. Nos pontos de embarque, o fator segurança parece ser deixado de lado, com passageiros amontoados nas portas, que seguem entreabertas após a partida do veículo. “Já fui empurrado e cai no chão”, contou o vendedor Hugo Santana, 41.

Comportando dez linhas, o Terminal do Barro também amarga falhas estruturais, com muitas reclamações dos usuários. “Hoje sou obrigado a sair muito mais cedo de casa para conseguir chegar a tempo. É uma perda na qualidade de vida”, reclamou o técnico em laboratório Elias Souza, 61. A situação é confirmada pela dona de casa Meury Silva, 57. “Já cheguei a passar 50 minutos esperando ônibus”, disse. Passando para o Terminal da PE-15, em Olinda, considerado o mais antigo em operação, a doméstica Maria José, 54, conta um pouco do drama enfrentado na região. “Antes eu precisava pegar um único ônibus para chegar ao trabalho. Agora são três, todos lotados. A vontade é de desistir”, criticou.

No Joana Bezerra, que além das dez linhas também abraça o sistema de metrô, a situação pode ser compreendida como amais precária, incluindo a falta de abrigo nos dias de chuva. “A volta para casa é sempre complicada. A gente já fica pensando no dia seguinte”, revela o pintor Asidezio Francisco, 55, que mora no Jordão e também precisa embarcar em três coletivos. Grávida de cinco meses, a auxiliar administrativa Regina Gonçalves, 26, divide as dificuldades também encaradas por idosos e portadores de dificuldades de locomoção. “Não há respeito nem mesmo para disputar as cadeiras reservadas. E os fiscais não são vistos”, disse.

FISCALIZAÇÃO
Os problemas encontrados diariamente nas ruas são alvos de constantes reclamações dos usuários que apontam a ausência de uma fiscalização ostensiva para as irregularidades. A Federação dos Usuários de Ônibus de Pernambuco assinala que as arrancadas bruscas, a queima de paradas e o desrespeito na prestação do serviço tornaram-se comuns. “Os cidadãos procuram a central de atendimento ou mesmo a ouvidoria do Grande Recife e não recebem qualquer retorno. A sensação que fica é de que nada é executado. A maioria já acha uma perda de tempo”, explica a presidente Renilda Acioli, que também aponta a falta de vistoria diária nos terminais e corredores de grande circulação.


De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte, a Central de Atendimento ao Cliente recebe uma média de 270 ligações diárias, entre denúncias, reclamações e esclarecimentos. Conforme o órgão, o serviço recebeu 3.842 reclamações de janeiro até a última quinta-feira. O Consórcio reforçou que, a partir das informações recolhidas, é gerado um número de protocolo. Os dados são encaminhados para o setor responsável ou diretamente para a empresa, que tem um prazo de dez dias úteis para responder a demanda. O passo seguinte, informou o Consórcio, é o contato com o usuário para um posicionamento.

Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Benilson Custódio, as falhas no sistema de transporte público são frutos de erros que se repetem. “As linhas não são organizadas como deveriam, com as saídas dos terminais em horários desregrados, sem considerar a demanda do turno e a distinção de ônibus comuns e articulados, capazes de transportar muito mais passageiros”, explica, reforçando a falta de políticas de valorização aos profissionais, que enfrentam longas jornadas e recebem baixos salários.

MALHA VIÁRIA
Com obras sofrendo um ciclo de atrasos há mais de dois anos, importantes corredores como as avenidas Conde da Boa Vista e Caxangá, no Recife, assim como a PE-15 e Pan-Nordestina, em Olinda, ainda estão inacabados, bloqueando caminhos por onde passam mais de 300 mil pessoas. A disputa de espaço entre BRTs e carros de passeio é constante.

Para o engenheiro Germano Travassos, trata-se de imbróglios que não podem ser desconsiderados. “O rendimento da frota não pode mais ser medido apenas pela quantidade de ônibus, mas pela velocidade que eles conseguem operar. Assistimos a um entrave quanto à produtividade ao pensar nos congestionamentos e trajetos feitos com velocidade abaixo de 15 km/h”, alerta. A defesa perpassa pela criação de mais corredores exclusivos para ônibus, segregados por canteiros ou ainda marcados por sinalizações horizontais. “Sem fiscalização, essas vias não são respeitadas e assim não temos qualquer avanço”, acrescentou Travassos.

O processo de licitação para as empresas operadoras de ônibus, promovido em 2014 e dividido em sete lotes, ainda cumpre etapas burocráticas, como assinaturas de contratos, não havendo um cronograma definido. De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte, cerca de 700 novos veículos seriam necessários para uma renovação consistente na frota.

“O problema não está na quantidade de veículos nas ruas, mas na velocidade do sistema. Efetuamos alterações constantes na programação no sentido de atender essas demandas. Mas, em alguns momentos do dia, os ônibus que deixam as garagens ou os terminais não voltam em tempo hábil. Os intervalos maiores para o embarque e o público acentuado são inevitáveis”, minimizou o diretor de operações André Melibeu.

PLANEJAMENTO
Para qualquer projeto de melhoria no sistema de transporte público da Região Metropolitana do Recife, apontam especialistas, é fundamental o conhecimento da atual realidade da demanda viária. Fatores como os novos polos de trafego, vias que tiveram a circulação ampliada e as rotas hoje adotadas por ciclistas integram a lista a ser considerada. Contrariando essas necessidades, estudos desse porte na RMR não registram avanços há quase duas décadas.


A última pesquisa de origem/destino na Região Metropolitana do Recife foi executada em 1997, quando foram coletados dados para servir de base para investimentos na área de transportes. A realidade da época era de menos de 500 mil veículos emplacados. Um número três vezes menor que o atual demais de 1,2 milhão. De acordo com último censo, a população, hoje de 3,6 milhões, também teve um salto de cerca de 700 mil pessoas. 


“O tempo passou, as cidades mudaram e o perfil dos indivíduos também. Essas informações seriam fundamentais para o planejamento das ações atuais e futuras. As novas linhas de ônibus, por exemplo, acabam surgindo a partir de ofícios, interesses políticos ou reivindicações de comunidades, sem um estudo dedicado que aponte as suas reais necessidades”, explicou o consultor em mobilidade Carlos Augusto Elias. De acordo com a Secretaria Estadual das Cidades, o processo licitatório para a contratação da empresa que produzirá a pesquisa deve ter início até o fim deste ano.


Segundo o Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, a instalação de terminais muito próximos aos bairros é um fator que não colabora. “Varias linhas diretas foram destituídas e o cidadão se viu obrigado a desembarcar em poucos minutos, perdendo seus assentos e enfrentando filas”, afirmou o presidente Benilson Custódio. Segundo ele, o quantitativo apresentado de três mil ônibus circulando não considera que em torno de 25% ficam fora das ruas por problemas mecânicos.

Folha de Pernambuco

sábado, 16 de maio de 2015

BRT opera duas novas linhas. Usuários aprovaram, com queixas

Créditos: Guto de Castro/Maxi Ônibus Olinda


Duas novas linhas de BRT da Região Metropolitana iniciaram a operação neste sábado (16) dentro do traçado do Corredor Norte/Sul. São mais 20 estações funcionando com o desafio de garantir agilidade. A reportagem do Diario testou o percurso em funcionamento e o serviço foi parcialmente aprovado pelos usuários. Congestionamentos e falta de faixa exclusiva ainda são entraves. A linha completa é prevista para ser entregue até o fim deste mês, depois de atrasos. A real promessa era para a Copa do Mundo de 2014.

A tranquilidade reinou no Corredor Norte/Sul. Nas portas de vidro de cada parada um adesivo amarelo com a frase “estamos funcionando” indica a novidade para os passageiros. Uma das linhas sai do Terminal Integrado de Igarassu e a outra do TI Pelópidas Silveira. Ambas passam pelo Bairro do Recife. Com velocidade média de 50 quilômetros por hora, o BRT gastou 50 minutos da estação Ístimo do Recife, no Cais do Apolo, para o TI de Igarassu. Para os usuários e motoristas estreantes no equipamento, o desafio é manter a agilidade das linhas durante a semana, em horário de pico.

“A diferença é muito grande. Isso aqui é o antiestresse”, definiu Ezequiel Andrade, 47 anos, que ontem conduzia pela primeira vez oficialmente um BRT. Ele, que fez um curso para operar o veículo, se referiu à qualidade do equipamento em relação aos ônibus comuns. “Não tem cheiro de diesel nem barulho de motor, dois fatores que adoecem muitos profissionais. Também não há calor e o contato com os passageiros é mínimo”, relatou. Para ele, é preciso educar a população para respeitar a faixa exclusiva do BRT.

A invasão de veículos na faixa que deveria ser exclusiva para o BRT e o congestionamento nas áreas de tráfego misto são os principais impecilhos da velocidade. O sistema, que devria ter sido entregue antes da Copa do Mundo de 2014, tem novo prazo de conclusão para o final de maio deste ano e será inaugurado sem as faixas exclusivas. Somente o acesso às estações terá espaço exclusivo.

Diário de Pernambuco

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Mais duas linhas de BRT entram em operação no Corredor Norte/Sul

 
Créditos: Guto de Castro/Maxi Ônibus Olinda

 O Corredor Norte/Sul dará início, a partir deste sábado (16), a operação de mais duas linhas do BRT Via Livre, uma saindo do Terminal Integrado de Igarassu e a outra do TI Pelópidas Silveira. A novidade é que as novas linhas, a 1946 – TI Igarassu (PCR) e a 1976 – TI Pelópidas (PCR), atenderão a Prefeitura do Recife, passando pelo bairro do Recife Antigo. Elas irão operar com 14 veículos e 76 viagens e 18 ônibus e 178 viagens por dia, respectivamente.

A linha 1946, do TI Igarassu, seguirá pelas rodovias BR-101 e PE-15 e também atenderá o TI Pelópidas e o TI PE-15. Os ônibus da 1976, do TI Pelópidas, seguirão a mesma lógica e entrarão no Terminal Integrado da PE-15. As duas novas linhas irão operar de domingo a domingo. A 1946 – TI Igarassu (PCR) terá operação das 4h10 às 21h30 e a 1976 – TI Pelópidas (PCR), das 4h às 23h40.

Além das novas linhas, o Corredor Norte/Sul já conta com as linhas do Via Livre 1915 – PE-15 (Dantas Barreto), que opera com 12 BRTs e realiza 142 viagens, e a linha 1979 – TI Pelópidas (Dantas Barreto), que possui 14 BRTs e faz 106 viagens. Esta última deixará de operar nos finais de semana e circulará de segunda a sexta, das 5h30 às 22h30, também a partir do dia 16 de maio.

Os usuários do Corredor Norte/Sul também ganharão mais quatro estações em operação, são elas: Nossa Senhora do Carmo, localizada na Av. Dantas Barreto, em frente ao Edf. IEP; Maurício de Nassau, situada na Av. Martins de Barros, no cruzamento com a rua 1º de Março; Istmo do Recife, localizada em frente ao prédio da Polícia Federal da Av. Cais do Apolo, e a estação Forte do Brum, situada na Av. Cais do Apolo, em frente a Prefeitura do Recife.

Com o início da operação desses novos pontos de embarque e desembarque, o Corredor Norte/Sul passa a contar com 20 estações em funcionamento, são elas: José de Alencar, Hospital Central, São Salvador do Mundo, Cidade Tabajará, Jupirá, Aloísio Magalhães, Bultrins, Quartel, Sítio Histórico, Mathias de Albuquerque, Kennedy, Tacaruna, Santa Casa da Misericórdia, Treze de Maio, Riachuelo, Praça da República, Nossa Senhora do Carmo, Maurício de Nassau, Istmo do Recife e Forte do Brum. 

GRCT

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Corredor Leste-Oeste: Governo não vai renovar com consórcio e obra segue sem prazo

Créditos: Bobby Fabisak/JC Imagem

Paradas há mais de cinco meses, as obras do Corredor Leste-Oeste, prometido para a Copa do Mundo de 2014, parecem estar cada vez mais longe do fim. Agora, a Secretaria das Cidades resolveu não renovar, no fim deste mês, o contrato com o consórcio responsável pela construção, formado pela Servix e pela Mendes Júnior, com problemas financeiros desde que foi envolvida na Operação Lava Jato. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (6) pelo secretário executivo de Mobilidade, Marcelo Bruto.

Com essa decisão, deverá ser realizada uma nova licitação para escolher as empreiteiras que atuarão nas obras, processo que costuma levar meses. Questionado, por isso, sobre prazos, Bruto defende que há modelos mais simples para selecionar as empresas, ainda em análise jurídica.

Além disso, a pasta corre para, até o fim de maio, quando o contrato será extinto, ter registros sobre valores e etapas que ainda devem ser concluídas. "Estamos fazendo o levantamento dos remanescentes", diz.

Foram investidos até agora R$ 136 milhões no corredor, que vai do Centro do Recife até a cidade vizinha de Camaragibe e foi orçado em R$ 168,7 milhões. Nas contas iniciais da Secretaria das Cidades, a obra está com aproximadamente 80% das intervenções previstas prontas. Mas o que falta impacta a vida dos usuários: são 12 estações de BRT (Bus Rapid Transport) a serem erguidas e dois terminais integrados de ônibus em andamento.

O consórcio e a pasta estão em impasse: enquanto as empresas afirmam que o Governo de Pernambuco ainda tem débitos, a gestão diz não reconhecer os valores, ainda não divulgados. "O entendimento para a retomada estava difícil, achamos melhor partir para um caminho que possamos retomar (a obra) e terminar", justifica Bruto. "O custo é o de tempo de obra paralisada, mas é mais seguro em termos de finalização", acrescenta.

Das últimas obras do corredor, já afetadas pelas dificuldades financeiras da construtora, a última entregue foi o polêmico Túnel da Abolição. Aberto ao tráfego há aproximadamente um mês, tem várias pendências, como infiltrações e a instalação de um elevador e de uma escada.

Outra dificuldade é em relação ao Museu da Abolição, que alega ter sofrido consequências negativas por causa do túnel. Para tentar minimizar os problemas provocados, foi elaborado um projeto que inclui a abertura de um portão na Rua Real da Torre, ao lado do Túnel, a reforma da praça na Rua Benfica e a construção de um jardim que já estava previsto no projeto inicial, em que se gastou R$ 16 milhões. "Estamos finalizando até a semana que vem um projeto para entregar ao Museu para ver se atende à demanda", promete o secretário.

NE 10

domingo, 3 de maio de 2015

BRTs apresentam temperatura em Fahrenheit

Créditos: Jorge Cosme/Leia Já


Está calor no Recife. No último dia 7 de abril a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) registrou a maior temperatura do ano na cidade, de 32,9º C. Para fugir do abafado, os ônibus do sistema de Bus Rapid Transit (BRT), que possuem ar-condicionado, tornam-se mais convidativos. Apesar disso, o usuário pode tomar um susto ao se deparar com o visor apresentando temperaturas que vão de 40° a 60°. Mas calma, são 40° a 60°... Fahrenheit.

Fahrenheit é uma escala de temperatura usadas em pouquíssimos países, como Bahamas, Belize, Ilhas Cayman, Palau e os Estados Unidos da América. Para quem não lembra das aulas de química do ensino médio e quer saber a temperatura ambiente do BRT, a fórmula de conversão de graus Fahrenheit para Celsius é °F=°Cx1,8+32.

A tal fórmula, inclusive, levanta outro questionamento: se a temperatura apresentada no visor, mesmo em Fahrenheit, está correta. É que se o valor apresentado for de 40°F, como acontece, isto significa que os termômetros estão marcando 4,44°C, uma temperatura congelante e que não condiz com a sensação térmica. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE), o painel divulga a temperatura externa, o que deixa o número ainda mais distante da realidade.

Um motorista do sistema quanto perguntado sobre a tela disse desconhecê-la e que ajustava a temperatura em um painel menor, próximo dele e mais distante da vista dos usuários. Na ocasião, o tal painel estava em 22°C enquanto o visor variava em 47 e 48°F – o que significaria que a temperatura da rua estaria mais fria que a do ônibus climatizado. A Urbana-PE, entretanto, disse que os dados apresentados no visor são confiáveis visto que a empresa responsável por eles, a Danval, é “consolidada no mercado”.

Os visores são fabricados pela Danval, mas montados pela encarroçadora, que no caso é a Caio Induscar.De acordo com a Urbana-PE, a montagem segue o manual do fabricante e as informações expostas são pré-configuradas pelo fabricante. O visor em Fahrenheit são vistos nos veículos da lista leste-oeste da Via Livre, que vão de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR), até a Avenida Guararapes, no centro do Recife. Apesar das ocorrências, a tela com informações em Celsius tem se tornado mais recorrente.

Leia Já

terça-feira, 28 de abril de 2015

BRT: passarelas serão implantadas na PE-15

Créditos: Jedson Nobre/Folha de Pernambuco

Em quatro pontos da rodovia PE-15, por onde passa o corredor Norte-Sul, a solução dada para a preocupação de muitos passageiros que deverão utilizar o sistema de transporte Bus Rapid Transit (BRT), a travessia entre as alçadas e as estações de embarque e desembarque, a construção de passarelas.

Três dos equipamentos vão atender diretamente os usuários do BRT: um na altura do bairro dos Bultrins, em Olinda; outro próximo ao Cemitério Morada da Paz; e mais um que atenderá à estação São Francisco, na altura da Vila Torres Galvão, em Paulista. Nesse último ponto, os módulos laterais que irão compor a passarela já foram instalados, faltando apenas a colocação do vão central. Segundo moradores da área, são recorrentes os atropelamentos no local. “O fluxo de veículos é muito grande nos dois sentidos e as pessoas às vezes atravessam correndo. A passarela vai ser importante, mas a conscientização para o uso também”, disse a manicure Diná Ramos, de 43 anos, que já presenciou um atropelamento na via.

As passarelas são do tipo com rampas, para facilitar a subida de idosos e pessoas com deficiência. Outro equipamento para cruzar a rodovia está praticamente pronto e fica situado na entrada da cidade de Abreu e Lima. Além de atender os dois lados da via, o complexo elevado permite ao pedestre acessar a estação do BRT que fica no meio da PE-15 e o terminal integrado de Abreu e Lima. Apesar de aparentemente concluídos, nem a passarela nem a estação estão em funcionamento. Com isso, muitas pessoas ainda precisam se arriscar a cruzar a via entre os veículos. “Vai beneficiar muito, principalmente quando o terminal estiver em funcionamento”, avaliou o vendedor Iwanndson Rodrigues, 27, que atualmente prefere andar mais de 300 metros para fazer a travessia no sinal de trânsito.

Em outras estações, porém, a solução para a travessia dos passageiros será em nível, utilizando para isso faixas e sinais de pedestres. Foi o caso das duas estações situadas no bairro de Ouro Preto, em Olinda, entregues no último dia 16. Nesses pontos, as plataformas receberam a pintura no asfalto para demarcar a circulação dos usuários do BRT Além disso, por conta da distância entre a estação e calçada, foram construídos canteiros centrais. As ilhas deve servir de refugio para os passageiros que forem cruzar de um ponto para outro.

Folha de Pernambuco

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Depois dos ônibus e do metrô, ambulantes invadem o sistema BRT

Créditos: Roberta Soares/Blog De Olho no Trânsito

Primeiro, eles se incorporaram às paradas de ônibus, depois invadiram as estações e as composições do metrô do Recife. Não satisfeitos, os ambulantes continuam avançando sobre o transporte público de passageiros da Região Metropolitana e, agora, chegaram ao BRT (Bus Rapid Transit), sistema que sequer opera integralmente. Já é possível ver inúmeros vendedores informais circulando livremente nos ônibus e estações dos Corredores Norte–Sul e Leste–Oeste, que representam no Grande Recife o modelo de transporte difundido no mundo, a partir da cidade de Curitiba (PR), como confortável e moderno. E totalmente desassociado da imagem de comerciantes de pipocas, bombons, chocolates e água vendidos no seu interior.

Os ambulantes entram e saem dos imponentes veículos de BRT, assim como circulam livremente pelas estações de embarque e desembarque do sistema – as únicas refrigeradas do Brasil, vale ressaltar. Pelo menos por enquanto, não sofrem qualquer tipo de restrição, seja dos operadores das estações ou dos motoristas dos veículos. Nem mesmo a proibição de atividades de vendedores e pedintes, exposta num adesivo colado na parte dianteira dos BRTs, os intimida. Sentem-se à vontade. Aliás, ficam à vontade mesmo. Conversam não só com os clientes, mas também com os operadores das estações. Anunciam a mercadoria, quase sempre com promoções “especiais” para os passageiros do BRT. Vendem pipoca, chocolate, bombons e água. Os passageiros compram aos montes.


Percebe-se que, de forma geral, gostam de ter a opção de um lanchinho para tornar a viagem mais agradável e rápida. No Corredor Norte–Sul, os vendedores circulam entre as estações Tacaruna e Dantas Barreto, na área central do Recife. Não esticam a viagem até os Terminais Integrados da PE–15 (Olinda) e Pelópidas Silveira (Paulista) porque a ausência de estações do BRT em funcionamento não compensa. No Corredor Leste–Oeste, o movimento se dá entre as estações Guararapes e, principalmente, Derby. Alguns esticam o percurso um pouco pela Avenida Caxangá, Zona Oeste do Recife, já que o sistema tem uma operação maior do que no Norte–Sul.

A presença dos ambulantes, como esperado, tem gerado polêmica. Passageiros e operadores se dividem sobre o comércio informal. Alguns defendem o direito de trabalhar dos vendedores, enquanto outros afirmam que, em pouco tempo, caso nada seja feito, a desordem irá predominar porque eles irão se multiplicar.  A passageira Irani dos Santos, que todos os dias vai e volta do trabalho de BRT, foi uma das que saiu em defesa do comércio informal. “Eles não incomodam. Acho até bom porque às vezes chegamos na estação com fome. Só defendo que não haja bagunça nem sujeira. Se eles forem organizados, tudo bem”, afirmou à reportagem logo após comprar um chocolate do ambulante Marcílio Jovêncio, que migrou dos ônibus convencionais para o BRT.

O vendedor, inclusive, chamava atenção pela elegância e educação com os clientes. “Nós só queremos trabalhar. Comercializo nos coletivos há muito tempo e todos gostam. Sou muito conhecido. Não faço sujeira, nem deixo meus clientes fazerem. Precisamos de trabalho. Sustento família e pago contas com o que ganho. Queremos que o Grande Recife Consórcio nos dê uma oportunidade, faça um cadastramento, coloque um fardamento, por exemplo”, sugere.

Há, entretanto, quem reclame. Um motorista de BRT, que por medo de represálias não quis se identificar, criticou o comércio ambulante nos coletivos. “É péssimo. Eles ficam gritando dentro dos ônibus e atrapalham nossa concentração. O controle da entrada tinha que ser feito na estação. Nós, motoristas, não temos como evitar porque nem vemos quando entram no BRT. Por enquanto são poucos. Mas logo haverá um monte deles. Veja o que aconteceu com o metrô”, compara. A situação no metrô fugiu do controle. São tantos ambulantes nas composições e estações que a sujeira tomou conta de tudo. Há lixo nos trilhos, que atraem pombos e comprometem a operação.

O Grande Recife Consórcio de Transporte já identificou o problema e garante estar trabalhando para evitar, principalmente, que os ambulantes se instalem nas estações do Centro, onde a movimentação acontece. “Temos conseguido evitar. E estamos planejando ações para tirá-los dos veículos de BRT. Garanto que não iremos deixar os ambulantes tomarem conta do sistema”, disse André Melibeu, diretor de operações.

Blog De Olho no Trânsito

domingo, 26 de abril de 2015

Corredor Leste/Oeste opera com um quarto do público estimado e metade das estações previstas


Créditos: Guto de Castro/Acervo


Quase quatro anos depois das obras iniciadas, o Corredor Leste/Oeste funciona com menos da metade das estações de BRT previstas, não opera com os dois terminais de integração e transporta cerca de um quarto da demanda estimada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano.

O atual governo chegou a anunciar a entrega do corredor para maio deste ano, mas já teve o prazo prorrogado para o fim do ano. A situação mais grave é no município de Camaragibe, porta de entrada da Arena Pernambuco e não dispõe de nenhuma estação de BRT na via principal da cidade. Nem mesmo a Copa garantiu a realização das obras. Os moradores precisam se deslocar até o Terminal do Sistema Estrutural Integrado (SEI) para pegar o BRT.

“Nossa preocupação é não causar um mal-estar na população, que precisa fazer um deslocamento maior para ter acesso ao BRT”, revelou o diretor institucional da MobiBrasil, operadora do Leste/Oeste.

Mesmo com a precariedade do sistema, a MobiBrasil garante que uma pesquisa interna de satisfação foi bastante favorável. “Nós tivemos quase 60% dos usuários que atestaram a qualidade e o conforto do serviço. Isso significa que os quem têm acesso ao BRT aprovam o modelo”, ressaltou Djalma Dutra. O problema é os que não tem acesso, os três quartos restantes.

Ao longo do corredor, o trecho da Avenida Caxangá é o que dispõe de mais estações em operação. Mas ainda há ociosidade. Na Estação Engenho, o registro é de menos de mil usuários por dia. A maior demanda é registrada na estação do Derby com quase 10 mil usuários por dia.

O maior entrave é o não funcionamento dos dois terminais de integração, que se encontram em obras na Avenida Caxangá. O da 4ª Perimetral, a obra está em estado de abandono e o mato já cresce no local. Já o terminal da 3ª Perimetral está praticamente pronto, mas sem previsão de ser inaugurado.

Depois da Caxangá, a estação da Benfica se encontra em obras e sem previsão. Passando pelo Derby, o problema volta na Conde da Boa Vista, onde estão previstas seis estações improvisadas com entrada pela porta da direita, mesmo assim não concluídas. Em nota, a Secretaria das Cidades reafirmou que o prazo final das obras é dezembro de 2015, mas não adiantou o cronograma das etapas.

Diário de Pernambuco

segunda-feira, 30 de março de 2015

BRT no Grande Recife acumula atrasos e divide a opinião dos usuários

Créditos: Allan Torres/Diário de Pernambuco

No dia sete de junho de 2014 entrava em operação no Recife a primeira linha do BRT (Bus Rapid Transit). Com a criação de faixas exclusivas, rotas que interligariam parte da Região Metropolitana, construção de estações modernas e aquisição de ônibus mais equipados, o sistema prometia inovar o transporte coletivo no Recife - ainda a tempo da Copa do Mundo. Quase um ano depois de sua implantação parcial, no entanto, o BRT ainda não funciona plenamente e os usuários se dividem entre elgoios e críticas.

As obras do Corredor Leste/Oeste – que liga Camaragibe ao centro da cidade – devem custar R$ 168 milhões. A promessa é de que, quando o BRT estiver em pleno funcionamento, 155 mil pessoas sejam atendidas todos os dias, nas sete linhas previstas, pelos ônibus que devem trafegar a uma velocidade média de 20 km/h. Atualmente, apenas três estão funcionando.

No Coredor Norte/Sul – que vai de Igarassu ao centro -  e custará 187 milhões, o projeto pretende atender a 180 mil pessoas diariamente. A proposta é que as oito linhas previstas consigam circular a 16 km/h. Duas linhas estão ativas até então.

A professora Vilma Araújo, 57 anos, costuma sair do Terminal Integrado de Camaragibe com destino ao Derby e classifica o desempenho do BRT como “ótimo” neste roteiro. Se o destino final for outro, no entanto, a opinião também é diferente. “Se tiver de ir para outro trecho do centro, não compensa. Às vezes prefiro pegar o trânsito comum e passar mais tempo, do que andar tanto”, comenta. Isso porque das 26 estações previstas para o Corredor Leste/Oeste apenas 13 estão funcionando. No Norte/Sul são 11 pontos atendidos, dos 28 previstos no projeto. “Às vezes deixo de ir para o Centro por preguiça de andar tanto”, conta a dona de casa Berise Maria, 48, que usa o BRT saindo do Terminal Integrado da PE-15.

Além da distância entre estações ativas, as faixas exclusivas não estão presentes em todo o percurso, obrigando o BRT a dividir espaço com carros, motos e ônibus comuns. “De Via Livre, eu acho que ele não tem nada”, critica o funcionário público Natanael Souto Maior, 61, ironizando o nome recebido pelo sistema no Recife. Para o leiturista da Celpe Ramias Honorato, 42, é necessário intensificar a fiscalização para coibir que veículos particulares usem a faixa exclusiva. “Eles não respeitam, cometem um tipo de indisciplina, porque invadem a faixa do ônibus e no final vai ficar todo mundo congestionado”, conta. “Na minha opinião, deveriam ter colocado gelo baiano”, sugere o leiturista, que classifica positivamente o sistema, mas afirma que ele “não foi feito para brasileiros”.

Nem sempre há cadeiras disponíveis
A recepcionista Renata Gabriela, 28, compreende que o sistema não foi totalmente implantado e afirma que, mesmo incompleto, desde que começou a funcionar, o BRT deixou sua viagem mais rápida e refletiu em uma economia de cerca de 30 minutos no percurso entre Camaragibe e o Derby. “Só falta terminar de melhorar, para ir mais longe”, defende a recepcionista, que consegue seguir sentada na maioria das viagens. A fotógrafa Wanessa Neves, 22, não tem a mesma sorte. Ela costuma apanhar o BRT no Terminal Integrado da PE-15, mas raramente consegue ir sentada. “É muito espaço para pouca cadeira, então, sempre acabo indo em pé. Mesmo assim, prefiro ir em pé no BRT do que no calor”, dispara.

A proporção de cadeiras para cada passageiro é realmente menor, se comparada a um ônibus comum, explica o coordenador regional da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP), César Cavalcanti. “Quando você aumenta a área livre, você diminui o custo por passageiro. Por isso que no metrô, por exemplo, o espaço útil é muito menor do que nos ônibus comuns. É uma maneira de baixar os custos”, esclarece.

Na visão do especialista, que também se define como “usuário casual” do sistema, a principal questão é que o BRT ainda não foi concluído. “É um super projeto que, quando concluído, vai trazer o benefício prometido. O que está acontecendo são atrasos, desvios, infelizmente comuns nesse tipo de intervenção”, defende. “A frota não está completa, as paradas não estão todas prontas, a infraestrutura também não e tudo isso afeta profundamente o funcionamento. Ainda nem é possível avaliar o serviço de verdade, se queixar do projeto em si, ainda nem faz sentido”, acrescenta.

Para Cavalcanti, o momento é de dar andamento às obras e corrigir as falhas já identificadas, como a invasão de veículos particulares nas faixas exclusivas. “Eu reajo à ideia de conscientização. Não estamos tratando com bebês, são adultos habilitados, que, hipoteticamente, devem conhecer o Código de Trânsito Brasileiro. Tem que multar. Temos um sistema de fiscalização eletrônica que deve ser usado, já que máquinas não podem ser subornadas. Se implantado, dentro de seis meses os casos de invasão iam ser pontuais, só por pessoas distraídas”, explica.

Um quesito não indicado pelos usuários, mas destacado por Cavalcanti é a segurança no transporte. “Cruzamento, faixas de pedestres, acesso dos usuários, tudo isso precisa ser muito bem executado. No BRT do Rio de Janeiro já tiveram acidentes graves e é preciso se adiantar a isso”, completou.

Obras só serão conluídas em 2017
Prevista para ser finalizada em junho de 2014, a implantação do BRT está com 80% de suas obras realizadas e só deve ser totalmente concluída em 2017. O prazo foi dado pelo secretário-executivo de Mobilidade, Marcelo Bruto.

Ele explica que, no corredor Norte/Sul, além das 11 estações já em funcionamento, sete estão concluídas aguardando ação do Consórcio Grande Recife para iniciar as operações. Todas as outras estão em obras e têm cronogramas específicos, que devem ir até maio. No trecho Leste/Oeste 10 ainda estão pendentes e sem previsão de continuidade, já que uma das empresas responsáveis pela obra, a Mendes Júnior, está impedida de continuar o serviço por ter sido citada nas investigações da Operação Lava Jato. “Ainda não podemos falar com convicção se vai ser possível continuar as obras com essa empresa”, explica, afirmando que dentro de algumas semanas a situação será resolvida e que talvez seja necessário recomeçar o processo de licitação. “Você está sujeito a isso, é um imprevisto.”

O problema com a empresa é apenas um dos enfrentados para a conclusão das obras. “As obras de mobilidade são, em geral, as mais desafiadoras em termo de cronograma, porque ficam em áreas conturbadas, no meio da cidade. Exige uma tarefa grande de desapropriação e remoção de interferências, processos jurídicos. Esse é um fator importante dos atrasos, mas têm outros, que escapam do nosso domínio”, justifica.

Apesar dos problemas para avançar na conclusão do projeto, Bruto afirma que o retorno dado pelos passageiros indica um sistema de sucesso, avaliado positivamente. “Você consegue transportar 60, 70 mil pessoas e atingir, por exemplo, uma velocidade média de 20 km/h, o que é bem interessante para uma cidade como Recife”, avalia.

Para Bruto, os desafios enfrentados no Recife são gerais e também vivenciados em outras capitais. “Existe uma dificuldade em conciliar a necessidade imensa, a demanda, com agilidade e qualidade do projeto”, comenta.




Diário de Pernambuco

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva: os fatos marcantes no transporte pernambucano em 2014


Dando continuidade a nossa retrospectiva 2014, vamos relembrar hoje os cinco fatos que mais chamaram atenção no mundo do transporte em Pernambuco. Se você ainda não viu a primeira parte do nosso especial, confira agora: http://maxionibusolinda.blogspot.com.br/2014/12/retrospectiva-as-novidades-de-frota-das.html

5º lugar - Incêndio na garagem da empresa Bahia

No início da madrugada do dia 07 de abril, um incêndio de grandes proporções assolou a garagem da empresa Bahia, localizada em Caruaru. Dos 28 ônibus da frota, 12 foram completamente destruídos e 13 parcialmente danificados. O prejuízo estimado foi de R$ 3 milhões.

Créditos: Eliaquim Oliveira/Acervo

Acredita-se que o incêndio tenha sido criminoso, porém até hoje a real causa não foi descoberta. Com o incêndio, a Bahia teve suas atividades prejudicadas por cerca de dois meses. Alguns acreditaram que aquele seria o fim da empresa.

Entretanto, a Bahia se reergueu. Trouxe vários ônibus usados do Rio de Janeiro, em bom estado de conservação, para substituir os incendiados. Além disso, conforme mostramos ontem, também foi a primeira empresa de Pernambuco a trazer a nova versão do tradicional modelo Torino, com quatro unidades zero quilômetro.

Leia novamente a matéria completa sobre o incêndio na garagem da Bahia clicando AQUI.

4º lugar - Inauguração das Faixas Azuis

Créditos: NE10/Divulgação

O projeto de BRS recifense, chamado por aqui de Faixa Azul, teve início em dezembro de 2013 com a inauguração da pista exclusiva para ônibus da Rua Cosme Viana, em Afogados. Em 2014, a prefeitura deu continuidade ao projeto, inaugurando mais três faixas: na Avenida Mascarenhas de Morais (nos dois sentidos), e na Avenida Domingos Ferreira.

Entretanto, esperava-se uma ação maior da prefeitura neste projeto. Grandes corredores ficaram de fora e não receberam as Faixas Azuis em 2014. Entre eles podemos citar as avenidas Recife, Conselheiro Aguiar, Abdias de Carvalho e Beberibe.

Leia novamente a matéria completa sobre a inauguração das Faixas Azuis:
- Avenida Mascarenhas de Morais, clique AQUI
- Avenida Domingos Ferreira, clique AQUI

3º lugar - Constantes problemas no metrô

2014 não foi um ano fácil para o metrô do Recife. Apesar de ter transportado cerca de 10 mil passageiros a mais em 2013, quem precisou do sistema enfrentou muito sufoco. Panes elétricas e mecânicas e vandalismo foram apenas alguns dos problemas enfrentados pelos usuários.

No mês de novembro, por exemplo, um motorista que dirijia alcoolizado bateu contra a mureta de proteção de um viaduto que passa sobre a linha do metrô. A batida prejudicou a fiação elétrica e o metrô teve que parar de funcionar para os técnicos da CBTU realizarem os reparos necessários. Em um dia comum, esse já teria sido motivo suficiente para instalar o caos na cidade. Porém, naquela data em especial, seria realizada a prova do ENEM. Milhares de estudantes foram prejudicados e sofreram para chegar aos seus locais de prova.

Já em dezembro, um apagão ocorrido na Região Metropolitana do Recife também gerou problemas na rede elétrica do metrô, que passou cinco dias sem funcionar até a estação Camaragibe. Estes episódios evidenciaram o que todos já sabiam: o metrô do Recife está saturado, sucateado, e muito em breve vai parar de vez, por não suportar mais a demanda e os problemas que vem acontecendo de forma recorrente.

Relembre como foi o período em que o metrô ficou sem funcionar por causa do apagão de dezembro clicando AQUI.

2º lugar - Início das operações dos novos consórcios e dos corredores BRT

2014 marcou também o início das operações dos dois primeiros consórcios a serem licitados no sistema de transporte público do Grande Recife: o Conorte - formado pelas empresas Cidade Alta, Rodotur e Itamaracá - e o Mobibrasil, formado pela Rodoviária Metropolitana.

Ambos os consórcios começaram a operar no dia 16 de julho. Os coletivos tiveram seus prefixos alterados, ganhando um dígito a mais, que representa o lote do sistema ao qual faz parte. A mesma coisa aconteceu com as linhas de ônibus.

Além disso, foram apresentadas a população as novas pinturas dos ônibus do sistema. Com um padrão fixo, criado pelo Grande Recife Consórcio, a única característica que vai diferenciar os coletivos de cada consórcio será a cor predominante. Alguns consórcios que ainda nem existem de fato (porque não assinaram ainda os contratos da licitação), já estrearam suas pinturas, como o Capibaribe e a empresa Vera Cruz. O Conorte também entrou nessa nova era.

Pintura padrão dos novos consórcios foi apresentada aos usuários

A estreia dos consórcios também provocou o remanejamento de algumas linhas entre as empresas. Isto ocorreu devido ao fato dos lotes em que algumas linhas foram alocadas serem diferentes daqueles em que estavam suas operadoras antigas. Algumas linhas que passaram por mudança: 2920 Rio Doce/CDU, 710 Beberibe/Derby, 1907 Paulista/Rio Doce, 1967 TI Igarassu (Dantas Barreto), entre outras.

Paralelamente, deu-se início as operações dos corredores BRT (Bus Rapid Transit) da Região Metropolitana: o Norte-Sul, que quando concluído vai ligar Igarassu ao centro do Recife, e o Leste-Oeste, que vai de Camaragibe também ao centro.


O primeiro corredor a entrar em operação foi o Leste-Oeste, em 07 de junho, com a linha 2480 Camaragibe/Derby. Posteriormente, foram criadas as linhas 2450 TI Camaragibe (Centro) e 2437 TI Caxangá (Centro). Inicialmente, os ônibus circularam em horário de testes, das 9 da manhã as 4 da tarde. Posteriormente, a tabela foi ampliada para 04:30 as 22:30.

Em 16 de julho, começaram as atividades do corredor Norte-Sul, com a linha 1915 TI PE-15 (Dantas Barreto). Posteriormente, foi introduzida também a linha 1979 TI Pelópidas (Dantas Barreto). Os horários de funcionamento seguiram o mesmo modelo do Leste-Oeste.

Entretanto, nenhum dos corredores está em plena operação. Cerca de 10 estações e três terminais integrados ainda não foram inaugurados. Além disso, há mais de 100 BRTs parados nas garagens das empresas.

Durante a Copa do Mundo, os corredores BRTs funcionaram em esquema especial para levar os torcedores até a Arena Pernambuco. Os passageiros podiam embarcar de graça, mostrando os ingressos dos jogos, nas estações da Avenida Guararapes e do Derby, e eram levados pelos modernos ônibus até as proximidades da Arena Pernambuco. O serviço funcionou bem e ganhou elogios dos que fizeram uso do sistema.

Veja como foi o primeiro dia do funcionamento do corredor BRT Leste-Oeste clicando AQUI

Relembre o início das operações do consórcio Conorte e do corredor BRT Norte-Sul clicando AQUI

1º lugar - Fim das atividades das empresas Santa Cruz e São Paulo


O destaque melancólico de 2014 foi o fechamento das portas de duas das mais tradicionais empresas que operavam no transporte público do Grande Recife: a São Paulo, fundada em 1944, a Rodolinda e a Santa Cruz, que havia iniciado suas atividades no ano de 1960.

A primeira a encerrar as atividades foi a Santa Cruz, em 07 de fevereiro. Suas linhas foram assumidas pelas empresas Metropolitana, Borborema e Vera Cruz. No último dia de funcionamento, o clima foi de tristeza no terminal integrado de Jaboatão, onde a Santa Cruz concentrava a maior parte de suas atividades. A frota da operadora foi em parte incorporada a duas outras empresas do sistema: a Pedrosa e a Transcol.

Já no dia 22 de maio foi o dia da São Paulo fechar suas portas. Caxangá, Globo, Pedrosa e Transcol assumiram suas linhas. No mesmo dia, a Rodolinda também encerrou suas atividades na única linha que operava.

As duas empresas encerraram suas atividades pelo mesmo motivo: a licitação das linhas de ônibus do Grande Recife. Ambas não conseguiram se encaixar em nenhum dos consórcios que foram formados, e não conseguiam competir sozinhas com as gigantes do sistema. Neste caso, os empresários optaram por investir em outros ramos de negócio.

Veja como foi o último dia de atividade da Santa Cruz, incluindo um emocionante relato, clicando AQUI.

Relembre o última dia de operação da São Paulo clicando AQUI.

E estes foram os fatos que marcaram o ano de 2014 para o transporte pernambucano. O Maxi Ônibus Olinda aproveita para desejar a todos um feliz ano novo, que 2015 traga muita PAZ, em primeiro lugar, e também saúde, prosperidade, alegria, energias positivas, e, se possível, muito dinheiro no bolso.

O Maxi Ônibus Olinda vai tirar dois dias de folga. Retornamos as nossas atividades no sábado, onde apresentaremos as novidades do site para 2015, e faremos um panorama do que esperar deste ano que chega no mundo dos transportes. Além disso, teremos uma surpresa, com a volta de uma coluna de muito sucesso aqui do site. Não perca!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Corredor de BRT Leste-Oeste terá fiscalização eletrônica para evitar invasões

 Créditos: Guga Matos/JC Imagem


Um dos dois corredores de BRT (Bus Rapid Transit) pernambucanos, o Leste-Oeste, que liga o Centro da capital ao município de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, vai receber fiscalização eletrônica para coibir as invasões da pista exclusiva dos ônibus, cada dia mais frequentes – são quase 2 mil somente este ano. Serão seis câmeras de fiscalização instaladas ao longo dos seis quilômetros que o corredor possui no trecho da Avenida Caxangá. Os novos equipamentos serão instalados pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) entre janeiro e fevereiro de 2015. Além do BRT, o corredor de ônibus da Avenida Sul também receberá equipamentos eletrônicos, colocados em dois pontos da via.


Embora a operação do corredor Leste-Oeste seja de responsabilidade do Grande Recife Consórcio de Transporte, a CTTU voltou atrás na decisão de instalar as câmeras devido ao risco de acidentes de trânsito, especialmente os atropelamentos. “Está havendo muita invasão da faixa exclusiva do BRT, ainda mais com o trânsito pesado da Avenida Caxangá. Começamos a observar que os motoristas infratores correm muito quando invadem a faixa, acho que porque sabem que estão fazendo algo proibido. Já tivemos atropelamentos, mas sem mortes. Por isso resolvemos não esperar mais e instalar as câmeras”, explicou o gerente de fiscalização eletrônica da CTTU, Marcos Araújo.


O fato de 36 linhas de ônibus comuns estarem no tráfego misto, disputando espaço com os veículos particulares, potencializou o perigo. Os ônibus comuns estão fora da faixa exclusiva desde junho, quando o BRT entrou em operação, mesmo parcialmente, para a Copa do Mundo. E até agora apenas duas linhas de BRT estão em operação (Camaragibe-Derby e Camaragibe (Centro). A previsão dada pela Secretaria Estadual das Cidades é que os ônibus comuns deixem de trafegar pela Avenida Caxangá a partir de janeiro, quando os dois terminais integrados do Leste-Oeste – localizados na 3ª e 4ª Perimetrais – devem ser concluídos.


As câmeras que serão utilizadas na Avenida Caxangá fazem parte do mesmo contrato dos equipamentos que irão monitorar as Faixas Azuis, o Bus Rapid Service (BRS) recifense, em implantação pela CTTU, mas que não tem avançado por falta da fiscalização eletrônica. A licitação se arrastou por meses e foi homologada agora. Pelos planos do órgão de trânsito, em dezembro será possível começar a instalar as câmeras nos corredores de Faixa Azul das Avenidas Mascarenhas de Morais e Herculano Bandeira/Domingos Ferreira, ambos na Zona Sul do Recife, para começar a instalação na Avenida Caxangá.


O equipamento é o mesmo, mas a fiscalização se dará de forma diferente. Segundo Marcos Araújo, na Faixa Azul serão duas câmeras interligadas que monitoram o veículo por uma determinada distância, em média de 300 a 600 metros. Se o carro acessar um lote ou entrar à direita no espaço permitido, não é multado. Cometerá infração apenas se passar na segunda câmera. “No caso do corredor de ônibus é diferente. Ele fica localizado à esquerda da via, ou seja, o veículo particular não pode acessá-lo de forma alguma. Não têm motivo para estar lá, a não ser cometer uma infração. Nesse caso, as câmeras possuem um amplo alcance de visão, fotografando a placa e o desrespeito”, diz o gerente. A diferença também se dá no bolso. Uma multa por circular na Faixa Azul custa R$ 85,13 (média), enquanto no corredor de ônibus o valor sobe para R$ 127,69 (grave).


Créditos: Editoria de arte/JC


Blog De Olho no Trânsito

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pressa em fazer obras criou equipamentos que não dialogam com a paisagem urbana


A necessidade de suprir mais de quatro décadas de falta de investimentos na mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife pode ter ocasionado um outro problema referente à forma de ocupação dos espaços públicos. Urbanistas alertam que a pressa em implantar projetos para a Copa do Mundo, sem o devido planejamento, acabou criando verdadeiras barreiras urbanas. O alerta foi feito em um seminário promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Nutau/USP). Especialistas de todo o país apresentaram projetos de impactos implantados nas cidades-sede da Copa.


A atual presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE), Vitória Andrade, analisou projetos implantados no Recife, a exemplo dos corredores de BRT. Na Avenida Guararapes, um dos cartões-postais da cidade, dentro de um perímetro histórico, as estações de BRT parecem corpos estranhos em meio às antigas edificações e em vias espremidas entre as estações. "O único alento é saber que isso não vai durar muito porque com o tempo vai se mostrar ineficaz", prevê.


Uma das principais críticas dos urbanistas é quanto à inadequação dos projetos aos ambientes em que foram implantados. "Não se pode usar nas cidades a mesma lógica de uma rodovia. As obras estão desvinculadas da vida urbana e das necessidades de cada lugar", ressaltou Vitória.


Outro exemplo apresentado pela representante do IAB-PE no seminário foi o elevado da Caxangá. "Não se pode mais conceber esse tipo de obra. É uma agressão ao espaço urbano. Agora imagine esse equipamento multiplicado por quatro na Agamenon Magalhães, como estava previsto?", questionou a arquiteta, se referindo ao projeto, que após duras críticas da sociedade, foi descartado pelo então governador Eduardo Campos.


A defesa da cidade com perspectiva para as pessoas e não apenas para a mobilidade motorizada é também compartilhada pelo arquiteto e urbanista Roberto Montezuma, presidente do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE).


"A Caxangá foi tratada só como um eixo rodoviário. E isso não ocorre somente no Recife. Em todo o Brasil se encontram exemplos da falta de preocupação com a interação dos espaços com as pessoas", ressaltou.


Para a Secretaria das Cidades, os corredores seguem a premissa de priorizar o sistema de transporte público. O órgão acrescenta que tem foco na modernização do sistema, com estações mais confortáveis, e que seguiu as premissas estabelecidas no Plano Diretor de Transporte Urbanos, que aponta o modal como alternativa para os próximos 20 anos.

Diário de Pernambuco

domingo, 7 de setembro de 2014

Sem corredor segregado, BRTs brigam por espaço nas ruas do Grande Recife

Não estava no script. Ver os BRTs (Bus Rapid Transit) brigando por espaço em seu próprio corredor, não só com ônibus convencionais, mas, principalmente, com o transporte individual, não era previsto ainda em 2010, quando o governador Eduardo Campos começou a pensar em adotar o sistema, criado há 40 anos por Curitiba (PR) e universalizado com o Transmilenio, de Bogotá (Colômbia), em 2000. A falta de planejamento, consistência dos projetos e o atraso escabroso das obras são os responsáveis por deixar o BRT capenga, sem o R de Rapid, rapidez.



Além de incomodar ver os imponentes BRTs espremidos entre coletivos comuns e carros, a disputa por espaço está afetando a operação, reduzindo a velocidade dos veículos entre 50% e 75%. Não era o planejado para o sistema usado e abusado nos discursos governamentais como a solução para a mobilidade da Região Metropolitana do Recife.

O consolo é que a descaracterização dos projetos de BRT não é vista apenas no Via Livre, nome do modelo pernambucano. É praticada, mesmo que pontualmente, em alguns projetos. Não na proporção do Recife, é verdade. Três dos quatro mais recentes sistemas de BRTs criados no Brasil têm trechos não segregados, mas a diferença é que foram corredores totalmente novos, construídos e, não, adaptados ou remendados como o Via Livre.


O mais antigo, o TransOeste, no Rio de Janeiro, inaugurado em 2011, possui oito dos 56 Km de extensão em tráfego misto; o MOVE de Belo Horizonte, inaugurado em junho, tem 1,8 Km em que os BRTs dividem o espaço com veículos comuns dos 17,4 Km do corredor; e o Expresso DF Sul, de Brasília, possui 8,8 de via mista dos 36,2 Km em operação. Nesse caso, o trecho fica no Eixão, área de preservação histórica, o que impediu a mudança do pavimento para concreto ou qualquer tipo de segregação. Já o TransCarioca, o segundo BRT do Rio de Janeiro, em operação desde junho, não tem nenhum trecho misto nos seus 39 Km. Os quatro projetos tiveram a consultoria de entidades especializadas na implantação do sistema, como a Embarq Brasil e o ITDP Brasil.

Os corredores do Via Livre (Leste-Oeste, ligando Camaragibe ao Centro do Recife, e o Norte-Sul, entre Igarassu e a capital), além de estar ainda no início da operação, têm grandes extensões de disputa entre BRTs, ônibus comuns e automóveis. Situação potencializada pelo fato de que os corredores foram adaptações do que já existia e, não, uma construção nova. Onde há mais de uma década já existia segregação para os ônibus, ela permaneceu. Em trechos onde não havia prioridade, a promessa do governo é promovê-la, ao menos parcialmente. Hoje, do jeito que está, o Corredor Leste-Oeste possui 6,7 Km de tráfego misto dos 14,6 Km de extensão, e o Corredor Norte-Sul 5,7 Km dos 13 que estão em operação.

Na Avenida Cruz Cabugá, por exemplo, chega a dar pena ver o BRT tendo que abrir espaço para automóveis, mesmo na área das estações. A cena se repete na Avenida Belmino Correia, em Camaragibe, na Avenida Benfica, na Madalena, ou com os ônibus convencionais na Avenida Conde da Boa Vista. “Além de atrasar a viagem em pelo menos 40 minutos, estressa a gente. Temos que ter uma atenção redobrada para não danificar o veículo. É uma pena não termos a via segregada”, reclama Eduardo Gomes, motorista da única linha em operação do Norte-Sul. A falta de segregação provoca, inclusive, danos físicos. A Estação Tacaruna, na Cruz Cabugá, teve o teto externo danificado por uma carreta que passou na área apesar da altura superior à permitida – 3,9 metros.

Teto da estação BRT do Shopping Tacaruna foi danificado por carreta.
Créditos: JC Online/Divulgação


As descaracterizações dos BRTs foram discutidas e criticadas durante o Seminário Nacional 2014 da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Passageiros), realizado na semana passada em Brasília. “Vivemos uma época em que os sistemas de BRT já evoluíram tanto que ganharam mais um R, de confiabilidade (reliability, em inglês). O passageiro não espera apenas o conforto do veículo e do embarque. Ele quer a confiabilidade do serviço e, no tráfego misto, é impossível o BRT conseguir essa eficiência”, alerta o diretor-presidente da Embarq Brasil e maior garoto-propaganda do BRT no País, Luis Antônio Lindau.




GOVERNO MINIMIZA IMPACTOS
O governo de Pernambuco minimiza o impacto da briga por espaço viário que o BRT Via Livre está travando nas ruas. O presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte, Nelson Menezes, pondera que os trechos de tráfego misto são poucos e que não havia como segregar os corredores nessa fase de implantação. Segundo ele, com as obras em execução, o impacto sobre os automóveis e os ônibus comuns seria ainda maior.


“A sociedade e a imprensa já estão promovendo uma enorme grita na Avenida Caxangá, onde o BRT trafega isolado, porque deixamos apenas duas faixas para o tráfego do restante dos veículos. Imagine se fôssemos separar os corredores em vias como a Avenida Cruz Cabugá? Por isso a operação começou sem o isolamento”, argumentou o presidente do GRCT, ponderando que em dezembro os dois corredores de BRT – Leste-Oeste e Norte-Sul – deverão ser totalmente concluídos.

Segundo Nelson Menezes, o tráfego misto tem impactado nos resultados do BRT, mas ainda não é tão prejudicial porque o sistema está em implantação. Mesmo assim, a redução de velocidade é fato: o Corredor Norte-Sul deveria ter velocidade operacional de 24 km/h e está em 16 km/h, enquanto o Leste-Oeste foi projetado para desenvolver, no mínimo, 22 km/h e está em 18 km/h, graças à faixa exclusiva da Avenida Caxangá.

BRT divide espaço com ônibus convencionais na Conde da Boa Vista
Créditos: Michele Souza/JC Imagem

Mas, mesmo em dezembro, prazo final prometido pelo Estado, serão vários os trechos em que os BRTs continuarão trafegando misturados a ônibus e/ou carros. Corredor Norte-Sul: Complexo de Salgadinho, Rua da Aurora, Ponte Princesa Isabel, Praça da República. Corredor Leste-Oeste: Avenida Belmino Correia, Rua Benfica, Derby, Avenidas Conde da Boa Vista e Guararapes.


JC Online

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

TCE apura custo de estações do BRT em Camaragibe

Créditos: Guto de Castro/Acervo

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) está analisando a possibilidade de superfaturamento na mudança do projeto das estações de BRT localizadas na Avenida Belmino Correia, em Camaragibe. Inicialmente, esse trecho do Corredor Leste/Oeste previa cinco plataformas refrigeradas de 111 m2 cada. Após dez meses de atraso na entrega total do equipamento, a Secretaria das Cidades informou que haverá dez estações de BRT, com 50 m2 e sem climatização.


As dez estações custarão R$ 4 milhões, R$ 400 mil cada, mesmo preço dos pontos não climatizados da Conde da Boa Vista. As estações climatizadas em construção no BRT custam R$ 1,5 milhão cada. Ainda assim, o TCE decidiu analisar as contas. Segundo a relatora do processo envolvendo as obras, a conselheira Teresa Duere, a mudança foi aprovada entre a empresa de fiscalização das obras e a Secretaria das Cidades. “O que tinha sido repassado ao TCE é que as novas estações seriam provisórias (para a Copa). Só há poucos meses soubemos que as novas estações não eram provisórias. Na próxima semana, divulgaremos algumas determinações em relação a essas obras”, disse a relatora.


O secretário da pasta, Evandro Avelar, disse que, na hora da execução do projeto, os técnicos diagnosticaram que seria inviável um equipamento nos moldes do que está sendo construído na Avenida Caxangá. “Do ponto de vista da circulação de veículos, a Belmino se tornaria uma nova Presidente Kennedy (avenida situada em Olinda). Ali é grande o fluxo de carros e ônibus comuns, vindos do interior”, compara o gestor.


A solução, segundo Avelar, seria alargar a via ou alterar o projeto. Para aumentar a largura da avenida, haveria necessidade de desapropriações. “A cidade foi mal planejada no passado e não temos verbas para fazer construir tudo de novo. Na ausência de recursos, foi desenvolvida uma alternativa que vai atender bem a população e ter utilização plena”, justifica o secretário.


Para Teresa, houve falta de planejamento, gestão e fiscalização, já que era possível ser prevista a necessidade de desapropriação na Belmino.


Evandro Avelar garantiu que as plataformas de Camaragibe não serão provisórias e argumentou que cada estado adapta o projeto à sua realidade desde que sejam operacionais. “O conceito de BRT é que se tenha o pagamento antecipado e um corredor prioritário para o transporte coletivo.”


Quando todo o corredor ficar pronto, terá 33 estações, 12 a mais do previsto no projeto inicial. Para o TCE, das 33 estações, 16 serão entregues com qualidade inferior ao apresentado. O novo modelo das estações da Belmino é igual às que estão sendo erguidas na Conde da Boa Vista, que inicialmente também foram divulgadas como provisórias para a Copa.

Diário de Pernambuco

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Estação do BRT na Avenida Guararapes tem vidro quebrado

Créditos: Filipe Gusmão/Facebook

A Estação do BRT instalada na Avenida Guararapes, no Recife, foi alvo de uma ação de vandalismo. Um dos vidros foi quebrado, provavelmente por uma pedra atirada do lado de fora da estrutura. No local, os usuários condenam o ato criminoso e também a decisão dos arquitetos do projeto que  optaram pelo vidro. Uma crítica recorrente, principalmente, diante do risco de acidentes com o material frágil e cortante. 


No dia sete de junho, o motociclista Marcelo Marcelino da Silva, de 43 anos,  morreu ao ser atingido por um vidro da estação de BRT da Avenida Conde da Boa Vista. O caso levantou a discussão não apenas sobre a segurança, sendo tipificado pela polícia como homicídio culposo e ficando a cargo de investigações pela Delegacia da Boa Vista.


A questão do clima também vem sendo levada em conta. Em algumas capitais brasileiras que também optaram pelo sistema BRT, o vidro é usado, mas não como material principal de revestimento das paredes laterais das estações, como ocorre nos corredores da Região Metropolitana do Recife.


O chamado efeito estufa mantém o calor na parte interna de estruturas de vidro. Segundo um funcionário da MobiBrasil, Gláucio França, a empresa solicitará ao Grande Recife Consórcio de Transporte Urbano o revestimento dos vidros e a implantação de cortinas de vento nas portas.


Em Belo Horizonte, as estações são feitas em alumínio e portas de vidro, assim como as estações do Rio de Janeiro. Em Bogotá, mesmo com o clima frio, o principal material utilizado é o alumínio vazado. O vidro nas portas serve para facilitar a visualização da chegada do ônibus. Em Curitiba, as estações “tubo” utilizam plástico transparente.


O modelo adotado na RMR, já trazia preocupação quanto a vulnerabilidade para o vandalismo e em relação à temperatura. “Esse é um projeto de 2010, que já previa vidro e ar-condicionado para dar mais conforto ao usuário”, disse na ocasião o presidente do Grande Recife, Nélson Menezes. “O governo optou por oferecer estações com nível mais elevado. O desafio será manter esse padrão funcionando bem”, afirmou o secretário das Cidades, Evandro Avelar.


Já a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em Pernambuco (IAB-PE), Vitória Andrade, chamou atenção para a falta de sincronismo dos projetos com o ambiente urbano. “Os urbanistas e arquitetos precisam ocupar o espaço nas decisões urbanas. A gente assiste a projetos de engenharia desvinculados da cidade. Qualquer pessoa leiga sabe que nossas condições climáticas não são adequadas para esse modelo”, criticou. “Os projetos que impactam a cidade não podem ser implantados de cima para baixo. É preciso uma discussão com a sociedade”, ressaltou o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Roberto Montezuma.


Diário de Pernambuco

segunda-feira, 9 de junho de 2014

População aprova BRT no primeiro dia útil de funcionamento

Créditos: Guto de Castro/Maxi Ônibus Olinda

A população elegiou o sistema Bus Rapid Transit (BRT), batizado de Via Livre, que entrou em operação nesta segunda-feira (9). A movimentação nas estações de Camaragibe e do Derby foi tranquila, e os usuários elogiaram os ônibus confortáveis e a estrutura das novas paradas. As viagens estão mais rápidas nesta segunda, em relação as realizadas no último sábado (7).

O BRT entrará em criculação de modo semi-expresso saindo do terminal integrado de Camaragibe,seguindo pela Avenida Belmino Correia, Avenida Caxangá até a praça do Derby, onde fará retorno para o TI de camaragibe.Durante o incio das operações do sistema, o BRT vai circular na faixa da esquerda das vias. Os demais veículos da linha continuarão na faixa da direita, atendendo as paradas de ônibus localizadas nas calçadas.

A primeira linha do Via Livre deverá atender, em média, 750 passageiros e irá operar das 9h às 16h desta segunda. Na terça-feira começará a fazer o horário comercial da linha, a partir das 5h. A tarifa da linha continuará a mesma, R$2,15.

Apenas duas estações estão funcionando nesta segunda-feira (9),são as estações do TI Camaragibe e a do Derby.A previsão é de que a estação da abolição entre em operação nesta terça-feira (10).

JC Online

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Apesar dos equívocos, conforto do BRT deverá ser garantido

Créditos: Edmar Melo/JC Imagem

O conforto é fato. O Via Livre, o BRT pernambucano, qualificará o sistema de transporte público por ônibus do Grande Recife. As estações refrigeradas e acessíveis, e os ônibus novos, confortáveis e com ar-condicionado, farão a diferença. Os acertos são o tema da segunda e última reportagem sobre erros e acertos do BRT.

O passageiro do BRT pernambucano poderá não sentir a economia de tempo na viagem, estimada entre 15 e 30 minutos, prometida pelo governo desde que Pernambuco optou pelo Bus Rapid Transit. Mas, sem dúvida, sentirá a diferença no conforto do futuro sistema. Os equívocos do projeto dos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste existem, mas não devem, apostam técnicos e operadores, anular o conforto para a população, sustentado, basicamente, na qualidade dos ônibus e das estações de BRT.


A viagem ficará mais prazerosa, sem dúvida. Afinal, pelo menos na teoria, o BRT é conhecido como metrô sobre pneus ou ônibus metronizado exatamente pela eficiência que oferece. Ou deveria oferecer.

Teremos as primeiras estações de BRT com ar-condicionado do País. No mundo, será a segunda. Apenas o BRT de Monterrey, no México, possui estações refrigeradas, segundo levantamento do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). Operadores as consideram estreitas (são menos de quatro metros de largura) e temem a futura manutenção não só do ar, mas também dos vidros temperados. Mas é fato, como afirma o ITDP, responsável pelo Guia Padrão BRT, que qualificam ainda mais o sistema de BRT. “Tememos a manutenção porque ainda não está claro de quem será o custo. Se do setor empresarial, do sistema – nesse caso, do povo -, ou do Estado. Imagine como será quando o ar-condicionado apresentar problemas e a Copa do Mundo tiver passado?”, indaga um operador.

Apostando que tudo dará certo, o passageiro do BRT contará com 45 estações nos dois corredores de BRT com acessibilidade universal, pagamento antecipado das passagens e embarque direto no ônibus, sem subir e descer degraus e, muito menos, sob sol e chuva, enfrentando calor e alagamentos. Nas estações, painéis informativos deverão indicar a chegada das linhas, com intervalos estimados entre três e cinco minutos. É a previsão.

Os veículos BRT são outra ferramenta que ajudarão a convencer o cidadão de que o sistema pode ser confortável. Serão 179 ônibus de alta capacidade, o que diminui a sensação de “sardinha” vivida pela maioria dos 2 milhões de passageiros diários do sistema de transporte da Região Metropolitana do Recife, especialmente aqueles que dependem dos terminais de integração. Os ônibus convencionais medem 12 metros, possuem entre 37 e 48 assentos e capacidade para 90 passageiros. Enquanto o BRT, assim como os ônibus convencionais articulados, medem 21 metros, têm entre 36 e 58 cadeiras e capacidade para até 165 passageiros. Ou seja, espaço haverá. Custam, em média, R$ 800 mil cada. “É possível, sim, superlotar um BRT, mas não é isso que se espera de um sistema eficiente, até porque a frequência dos veículos deve ser constante”, explica Pedro Torres, gerente de políticas públicas do ITDP Brasil.

O conforto dos BRTs também será percebido por outras diferenças em relação aos ônibus em operação atualmente. As principais são o ar-condicionado e a transferência do motor da parte dianteira para a traseira do veículo. Ganham passageiros e, também, operadores. Reflexo dessa “qualidade operacional” é a concorrida procura por treinamento entre os motoristas das empresas que compõem os consórcios que irão operar o sistema. Todos querem dirigir os BRTs. A suspensão é moderna e os ônibus terão computadores de bordo para garantir a eficiência da operação e a comunicação com os condutores. Como veículo, representa um salto de qualidade. Para todos.
Créditos: Helia Scheppa/JC Imagem


Blog De Olho no Trânsito