Mostrando postagens com marcador Nazaré da Mata. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nazaré da Mata. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de novembro de 2014

População da Zona da Mata Norte pede a volta do trem de passageiros

Trecho de linha férrea abandonada em Tracunhaém. Créditos: Cleide Alves


O relógio marca 11h20 da manhã do dia 16/09, quando o carro do JC encosta na velha estação de Nazaré da Mata, rachada, pichada e sem uso. Não se passam nem dois minutos e lá vem uma mulher andando pela linha férrea, equilibrando uma sombrinha. Olha para os repórteres e interroga: o trem vai voltar? Em pouco tempo na cidade, descobrimos que a pergunta é tão corriqueira quanto fazer dos trilhos desativados um caminho natural de pedestre.


A volta do trem de passageiros é um desejo de jovens e velhos em Nazaré da Mata, distante 65 quilômetros do Recife. “Seria muito bom, andei muito de trem, é um ótimo transporte. Até hoje sinto saudade”, declara Maria Anunciada Pereira, 83 anos, com sua sombrinha cor-de-rosa e apoio declarado ao movimento liderado por estudantes do campus da UPE em Nazaré da Mata, pela reativação da Linha Norte da estrada de ferro.


“É um benefício não só para 500 alunos da UPE, a população de Camaragibe, São Lourenço da Mata, Paudalho, Carpina, Tracunhaém e Nazaré ganharia mais uma opção de transporte público”, observa a estudante de história da UPE e moradora de Carpina Alana de Moraes, 20. Nos seis municípios vivem 442.377 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2014).


Em setembro, foi realizada a 1ª Jornada de Lutas em prol do Trem da Mata Norte, que percorreu a pé os 14 km entre as estações de Carpina e Nazaré da Mata, tendo sido realizadas atividades culturais – música, poesia, ciranda, coco, grafitagem e debates.



A mobilização dos universitários pelo retorno do trem teve início em 2011, com uma caminhada de 56 quilômetros, do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), no Curado, Zona Oeste do Recife, até o câmpus da UPE em Nazaré. Mais duas peregrinações, no mesmo percurso, foram realizadas em 2012 e 2013. A quarta versão será mais compacta, com 14 quilômetros.


“Este ano, o trajeto é menor, mas teremos os debates e as ações culturais”, diz o estudante de geografia da UPE e morador de Camaragibe Pedro França. O documento aprovado será entregue ao Sindicato dos Metroviários, que auxilia o grupo. “As articulações devem envolver as prefeituras e os governos estadual e federal”, diz Lenival Oliveira, diretor-financeiro da entidade.


Ponte sobre o Rio Tracunhaém, em Nazaré da Mata. Créditos: Cleide Alves


Segundo ele, a ideia dos estudantes é viável e pode ser implementada a partir do município de Camaragibe, porque os trilhos não existem mais no Recife. “É a ferrovia em melhor situação no Estado. A infraestrutura está pronta, só precisa de reparos, como a troca de dormentes e reposição de brita no lastro. O problema maior será sinalizar as passagens de níveis (cruzamentos com carros e pedestres)”, avalia Lenival.

Edna Maria do Nascimento, dona de casa de 20 anos, se deslocava pela linha do trem, em Nazaré da Mata, na direção da PE-052. “Os trilhos estão se estragando, é uma pena. Só andei de trem uma vez, se voltasse, eu adoraria”, afirma. Na mesma cidade, a vendedora Maria José da Silva, 49, usa o antigo pontilhão da via férrea, sobre o Rio Tracunhaém, para encurtar a distância entre o loteamento Nova Boa Vista, onde mora, e o Centro.


Sem o trem, o pontilhão virou travessia de pedestre, apesar de não ter proteção de guarda-corpo e das tábuas avariadas. “Para quem andava sobre ponte de rolo de bananeira num engenho em Vicência (Zona da Mata), isso aqui é uma estrada”, compara Maria José.


Antes de se retirar, para pegar o ônibus no Centro, ela pergunta se o trem vai voltar. “Seria uma maravilha. Vou realizar um sonho quando isso acontecer, nunca andei de trem”, declara. A mesma indagação é feita pelo motorista João Guilherme Trindade de Lira, 53, ao ver os repórteres fotografando os trilhos próximo da PE-052.


“Em maio deste ano (2014) passou um trem aqui, foi tão bonito. Antes, limparam e ajeitaram os trilhos. Se a viagem deu certo, podiam reativar a linha”, comenta João Guilherme. Ele se referia a uma composição da CBTU-Recife que saiu das oficinas de Edgard Werneck (Areias), seguindo pela Linha Norte até João Pessoa (PB), para substituir uma máquina que iria atender o Trem do Forró de Campina Grande.


No município de Carpina, a 45 quilômetros do Recife, moradores se aproximam dos repórteres para saber de um possível retorno do trem. “Tiraram o transporte do pobre e jogaram o transporte do rico, o ônibus”, diz o guarda municipal Severino João de Melo. “Outro dia veio uma máquina e fez a revisão da linha, pensei que o trem iria voltar”, acrescenta o caminhoneiro Valdemir Rocha da Silva.


“A cidade ficou aguada sem o trem”, diz Valdemir. “Muita gente deixou de ir à praia e ao Carnaval do Recife, quando o trem foi desativado”, completa Ubiratan José de Souza. O prédio da estação Carpina, no Centro, é usado como moradia por um ex-funcionário da rede e como lan house. Os sanitários estão quebrados, com lixo e lama.


Eles lamentam o destino do girador onde o trem girava sobre seu eixo, para fazer a viagem de volta ao Recife. “Todo mundo gostava de ver esse mecanismo, mas a prefeitura aterrou o equipamento”, informam. “Os alunos da UPE de Nazaré, que moram no Grande Recife, dependem de ônibus fretados, pagam caro e o serviço fica a desejar. Por isso a volta do trem é importante”, diz Alana de Moraes.




 
JC Online

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ônibus capota na BR-408 próximo ao Engenho Terra Nova, zona rural de Nazaré da Mata, no último sábado

Créditos: Timbaúba Agora/Divulgação

Na tarde do último sábado (11) um ônibus da empresa 1002, placa PFG 9215, nº de serie 43152, que viajava em sentido a cidade de Timbaúba, capotou na BR-408, próximo ao Engenho Terra Nova, zona rural de Nazaré da Mata.

De acordo com informações do cobrador, José Ivanildo da Silva, 39 anos, o motorista, Adenilson Amaro de Souza, ao efetuar uma manobra perdeu o controle do ônibus devido a forte chuva e rodovia escorregadia, chocou-se contra uma barreira e em seguida tombou. Segundo informações do cobrador, no ônibus estavam aproximadamente 40 pessoas, onde só saíram feridos uma passageira e o motorista com ferimentos leves.

Timbaúba Agora

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Série denuncia ônibus escolares sendo usados irregularmente para transporte de pacientes

Passageira desembarcando em hospital do Recife. Ônibus deveriam ser usados para transportar estudantes dentro do próprio município. Créditos: Globo Nordeste/Reprodução

O NETV 2ª Edição exibiu, nesta terça-feira (22), a primeira reportagem de uma série que vai mostrar o uso indevido de um serviço que deveria ser exclusivo para estudantes. Em muitas cidades do interior de Pernambuco, os ônibus escolares são usados no transporte de pacientes para hospitais do Recife.

A reportagem flagrou um micro-ônibus que partiu de São Joaquim do Monte, no Agreste, para a capital. O veículo deixa uma passageira em frente ao Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária, Zona Oeste da cidade. Outras duas ficam no Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro, na mesma região.
O micro-ônibus depois segue para o Hospital Português, no bairro Paissandu, no Centro do Recife, onde desembarcam um homem e uma mulher. O roteiro pelos hospitais continua na Praça Miguel de Cervantes, atrás do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), na Boa Vista, também na região central da capital, onde desceram mulheres e uma criança.
A próxima parada foi a Fundação Altino Ventura, ainda na Boa Vista, onde pacientes vindos do Agreste se incorporam a uma longa fila. O último ponto é perto da Maternidade da Encruzilhada, onde descem várias mulheres e uma criança, na Zona Norte.
No local, a reportagem flagrou mais veículos escolares. Um de São Bento do Una, no Agreste, e outro de Nazaré da Mata, Mata Norte. O micro-ônibus que deveria levar alunos para o colégio está parado na hora do almoço em um terreno da Avenida Cruz Cabugá, que virou um amplo estacionamento. São ônibus que trazem pacientes para o Hospital de Câncer, situado na mesma via.
A reportagem também identificou ônibus escolares de Xexéu, na Mata Sul, e Itapetim, no Sertão. Esse último viajou 360 quilômetros até o Recife. No Imip, deixou um homem e quatro mulheres. Depois, seguiu pela Avenida Guararapes, Praça da Independência, Pátio do Carmo e Avenida Dantas Barreto, onde fica parado até seguir para o que parece ser uma casa de apoio na Iputinga, na Zona Oeste. Lá, ele permaneceu estacionado durante a manhã inteira.
Em Itapetim, a reportagem foi recebida pelo diretor municipal de Transportes, Clodoaldo Lucena. Ele mostrou o ônibus que, afirma, costuma fazer viagens com pacientes. Informou que a caixa de marcha do veículo quebrou-se há 15 dias. "Quero que fique bem claro que não usamos o ônibus que é da escola. O ônibus quebrou em Arcoverde, à noite, e muito pacientes ligaram aflitos. Não conseguimos alugar outro carro e, infelizmente, tivemos que usar esse veículo de imediato, praticamente, para socorrer as pessoas", explicou.

Responsáveis pelos ônibus escolares nos municípios onde a reportagem esteve também explicaram que o uso do ônibus escolar para transporte de paciente foi medida emergencial.

G1 PE