07 de fevereiro de 2014. Um dia que vai ficar marcado na história do transporte coletivo pernambucano. Infelizmente, por um fato lamentável. O fim de uma tradicional empresa de ônibus do Grande Recife, que por anos transportou milhares de passageiros até os seus destinos.
Trata-se da Auto Viação Santa Cruz. Fundada em 1960, operava linhas entre diversos bairros do Recife e de Jaboatão dos Guararapes. Famosa por manter relíquias, como ônibus produzidos no final dos anos 90, em plena atividade até a noite desta sexta-feira.
Ao longo de seus 53 anos de história, operou diversas linhas. Podemos destacar algumas, como: 137 UR-11, 143 UR-06, 200 Jaboatão, 219 Jaboatão/TIP (Sancho), 220 Jaboatão/Cavaleiro.
Hoje, o clima era de despedida no Terminal Integrado de Jaboatão. Muitos operadores com cabeça baixa, afinal, apesar de todos os problemas, foi criado um vínculo muito forte entre funcionários e empresa. Alguns, chegaram até a tirar fotos daqueles que foram, até hoje, o seu instrumento de trabalho.
Motorista faz registro do que foi, até esta sexta-feira, o seu instrumento de trabalho.
Créditos: Silas Galvão/Facebook
Créditos: Silas Galvão/Facebook
O principal motivo para o fechamento da Santa Cruz é a licitação das linhas de ônibus do Grande Recife que deverá acontecer em breve. Com a divisão dos lotes e formação dos consórcios, a empresa não conseguiu se encaixar em nenhum dos novos grupos formados.
A Santa Cruz não viu viabilidade em operar o lote em que as linhas dela foram alocadas. Então, a única alternativa foi encerrar as atividades.
A partir deste sábado (08/02), as empresas Borborema, Vera Cruz e Metropolitana vão assumir as linhas que eram operadas pela Santa Cruz. Os funcionários da antiga empresa serão divididos entre as três que agora prestam o serviço, e devem ganhar estabilidade no novo emprego por pelo menos um mês.
Os usuários das comunidades que eram atendidas pela Santa Cruz devem ficar atentos as novas empresas operadoras. A dica do Grande Recife Consórcio de Transporte é pegar o ônibus pelo número e nome da linha, e não simplesmente pela cor.
Confira o folder do GRCT divulgando as mudanças:
Confira agora o relato elaborado pelo busólogo Silas Galvão, comentando sobre o fechamento da Santa Cruz e o sentimento dos funcionários:
"Imagine acordar numa sexta-feira como hoje: meio sol, meias nuvens e muita chuva. Chegar na empresa onde você trabalhou boa parte da sua vida e, depois de tanta correria, tanto trabalho, tantos altos e baixos, ver que é seu último dia. Não porque foi demitido, mas porque a empresa deixará de existir. Você num clima de despedida e impotência por saber que não poderá fazer nada pra que as coisas voltaem atrás, olha pra seu objeto de trabalho que você mais se apegou e saber que no próximo amanhã será tudo diferente.
"Imagine acordar numa sexta-feira como hoje: meio sol, meias nuvens e muita chuva. Chegar na empresa onde você trabalhou boa parte da sua vida e, depois de tanta correria, tanto trabalho, tantos altos e baixos, ver que é seu último dia. Não porque foi demitido, mas porque a empresa deixará de existir. Você num clima de despedida e impotência por saber que não poderá fazer nada pra que as coisas voltaem atrás, olha pra seu objeto de trabalho que você mais se apegou e saber que no próximo amanhã será tudo diferente.
Falamos muito dessa empresa, bem, mal, certo, errado, mas falamos... Mas o que dizer dos funcionários, de pessoas que moravam perto ou longe e todos os dias estavam a postos no trabalho pra conseguir sustentar suas famílias? "Ah certo, eles vão ser relocados pra outras empresas e lá eles vão seguir." Não é disso que falo. Falo do vínculo entre o trabalhador à empresa, em seus vários aspectos, que faz parte da história do transporte público na Região Metropolitana do Recife e que, com o tempo, foi entregue à própria sorte.
Por fim, esse momento registrado na imagem mostra a sensação inexplicável que ele estava sentindo nessa hora e que jamais poderemos explicar.
Ele registrou o último momento com seu objeto de trabalho, com sua "segunda casa". Velhinha mas era. Com problemas dos grandes mas era. Ele virou, pegou sua bolsa e foi embora com cabeça baixa e, quem sabe, levando a expectativa de seguir a vida a procura por dias melhores."













